
Levantamento do DataSenado mostrou que 31% das brasilienses entrevistadas afirmam ter sofrido algum tipo de violência, quase metade das vítimas não denunciou o agressor

A violência doméstica e familiar contra as mulheres é percebida como crescente por 79% das mulheres do Distrito Federal, segundo a 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Instituto DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência. O levantamento, realizado a cada dois anos, ouviu 802 mulheres com 16 anos ou mais no DF. Destas, 269 afirmaram ter sofrido algum tipo de violência ao longo da vida, o equivalente a 31% das entrevistadas, e 33 relataram episódios nos 12 meses anteriores à pesquisa.
Entre as mulheres que declararam ter sofrido violência, 16% afirmaram morar ou conviver atualmente com o agressor. O marido ou companheiro aparece como o principal autor das agressões, citado por 48% das vítimas no Distrito Federal. O percentual é inferior ao registrado nacionalmente, de 62%.
Denúncias
Apesar da ocorrência de episódios de violência, quase metade das mulheres que afirmaram ter sofrido agressões nos últimos 12 meses não procurou as autoridades. Das 33 entrevistadas que relataram violência nesse período, 16 disseram ter denunciado o caso em uma delegacia comum ou em uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), o que corresponde a 48%.
A pesquisa mostra diferenças na percepção das mulheres sobre os espaços onde se sentem mais ou menos respeitadas. No Distrito Federal, 53% afirmaram que a rua é o local onde se sentem menos respeitadas. O ambiente de trabalho aparece em seguida, citado por 26% das entrevistadas.
Lei Maria da Penha
O levantamento também avaliou o conhecimento das mulheres sobre a Lei Maria da Penha, sancionada em 2006 e considerada um marco no enfrentamento à violência doméstica e familiar no país. No DF, 28% das entrevistadas afirmaram conhecer “muito” a legislação. O índice é estatisticamente superior ao registrado na média nacional, de 21%.
