
Miguel Lucena
Éramos cinquenta mil,
Uma semente de esperança,
Um punhado de brasileiros
Com a coragem de quem não cansa.
Janones tocou a corneta,
Chamou o povo à resistência,
E nasceu um grande Exército
De coragem e consciência.
Não tínhamos tanques de guerra,
Nem fuzis, nem munição.
Nossa arma era a palavra,
Nossa trincheira, a razão.
O celular era o instrumento,
A verdade, nossa bandeira,
E a luta pela democracia
Nossa missão verdadeira.
Eu fui soldado dessa guerra,
Combati noite e dia,
Atravessei madrugadas
Enquanto o Brasil dormia.
Muitas vezes, sem descanso,
Enfrentei a escuridão,
Com o coração na trincheira
E a esperança na mão.
Vieram forças estrangeiras,
Trump querendo interferir,
Vieram gigantes da internet
Tentando a nossa voz diminuir.
Algoritmos, cercos e sombras,
Tudo para nos calar,
Mas dez milhões de brasileiros
Aprenderam a se levantar.
Até ministro quis, segundo dizíamos,
Nossa trincheira derrubar,
Mas ninguém detém um povo
Quando resolve lutar.
Se fechassem uma janela,
Outra haveria de abrir,
Porque a voz de dez milhões
Não nasceu para sucumbir.
Houve prefeitos acusados
De impedir o povo de votar,
De boicotar o transporte
Para o eleitor não chegar.
Mas a democracia é teimosa,
Não se entrega à opressão,
E quem carrega esperança
Encontra sempre uma solução.
Foi uma guerra renhida,
De mentira contra verdade,
De preconceito contra respeito,
De intolerância contra liberdade.
As notícias falsas vinham
Como flechas pelo ar,
Mas havia dez milhões de escudos
Para a democracia guardar.
Lutamos pelos nove dedos
De um operário brasileiro,
Pela dignidade dos nordestinos,
Pelo povo negro e guerreiro.
Pela pessoa com deficiência,
Por quem nasceu diferente,
Porque ninguém vale menos
Por ser diverso da gente.
Lutamos contra as milícias,
Contra a violência e o terror,
Contra a impunidade dos que matam
Sem piedade e sem amor.
Pelas crianças assassinadas,
Pelas mães que choram seus filhos,
Para que a justiça ilumine
Os mais escuros caminhos.
Mas nossa guerra era maior
Que qualquer disputa eleitoral:
Era a defesa da soberania,
Da dignidade nacional.
Era o direito de ser livre,
De viver sem humilhação,
De ter escola, saúde e trabalho,
De ter comida e habitação.
Era pelo pobre esquecido,
Pela criança sem creche,
Pelo velho sem amparo,
Pela porta que não se feche.
Era pelo direito de existir,
De amar e de ser amado,
De não ser perseguido
Por pensar do outro lado.
E o Exército foi crescendo,
Feito rio depois da chuva,
Cada soldado trazendo outro,
Cada voz rompendo a curva.
De cinquenta mil chegamos
A dez milhões de companheiros,
Uma multidão de gigantes,
De valentes brasileiros.
E vieram as urnas falar
Com a força da multidão.
Dez milhões de votos a mais,
Na contagem da eleição.
O mesmo número simbólico
Que nosso Exército alcançou,
Como se cada combatente
Uma esperança conquistou.
Não houve medalha no peito,
Nem promoção de general,
Nem desfile de armamentos
Em avenida nacional.
Nossa vitória foi do povo,
Nosso prêmio, a liberdade,
Nossa maior condecoração,
A defesa da democracia.
Janones, comandante das redes,
Fez da palavra um clarim,
E milhões de brasileiros
Disseram juntos: estamos aqui!
Não para impor o silêncio,
Nem para perseguir ninguém,
Mas para lembrar que a pátria
A todos nós pertence também.
Eu sou soldado desse Exército,
E disso tenho orgulho, sim!
De ter lutado pelo Brasil,
De não ter fugido ao clarim.
Nas noites longas de batalha,
Nas madrugadas sem fim,
Havia milhões de brasileiros
Combatendo junto a mim.
E se amanhã for preciso
Defender nossa Constituição,
Estarei de novo na trincheira,
Com a palavra e o coração.
Porque soldado da democracia
Não se rende à tirania,
Não troca a pátria por dinheiro,
Nem a liberdade pela covardia.
Viva o Exército de Janones!
Viva o povo brasileiro!
Viva a soberania nacional!
Viva cada bravo guerreiro!
Dez milhões de vozes livres,
Dez milhões de corações,
Dez milhões de sentinelas
Defendendo a nossa nação.
Porque a democracia não tem dono,
Não se vende e não se rende.
É uma chama que atravessa os tempos,
É um povo que luta e se defende.
E quando a História perguntar
Quem enfrentou a escuridão,
Responderei, de peito aberto,
Sem hesitar na afirmação:
EU FUI SOLDADO DESSA GUERRA!
EU ESTIVE NA LINHA DE FRENTE!
E ENTRE DEZ MILHÕES DE GIGANTES,
FUI APENAS MAIS UM BRASILEIRO
QUE NÃO ABANDONOU SUA GENTE!



