quarta-feira, 22/04/26
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Tributo a Wilson Aragão

Divulgação

 

Miguel Lucena

Menino-mulato-neguim sarará de Piritiba, Wilson Aragão não foi apenas compositor: foi um rezador das secas, um cantador das veredas, um poeta que sabia ouvir o estalo do mato e o rumor antigo dos facões da história. Em suas canções, o sertão não apareceu como postal, mas como destino, drama, festa, denúncia e bravura.
Ele fazia da palavra um aboio de memória. Tinha o barro da roça na voz, o sol da Bahia no verso e a dignidade do povo na melodia. Quando cantava “Capim Guiné”, parecia que o sertão inteiro levantava a cabeça. Quando evocava “Guerra de Facão”, não era só música: era sangue, honra, conflito e sobrevivência convertidos em arte. Em “Sertões, Sertões”, o chão nordestino virava eternidade. E em “O Sertão Chora”, parceria nossa, entoamos juntos as dores e as resistências da terra.
Wilson Aragão bastou-se com a verdade do canto. Seu nome ficou plantado na terra de Piritiba como um juazeiro de sombra larga. Que o povo o conserve vivo, porque há homens que permanecem cantando depois da morte.
Wilson Aragão permanece.

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