
Maria José Rocha Lima*
A saúde mental do século XXI exige mais do que medicamentos e protocolos clínicos. Ela pede escuta, acolhimento, vínculos humanos e reconstrução comunitária. Nesse contexto, a Terapia Comunitária Integrativa (TCI), criada pelo psiquiatra brasileiro Adalberto de Paula Barreto, vem conquistando reconhecimento internacional como uma experiência inovadora de cuidado coletivo e promoção do autocuidado.
Em debates e webinários internacionais ligados à Organização Mundial da Saúde e à Organização Pan-Americana da Saúde, a TCI tem sido apresentada como prática relevante no fortalecimento da saúde comunitária, especialmente na atenção primária. A experiência brasileira foi uma das seis iniciativas no mundo selecionadas pela OMS como referência inovadora para o fortalecimento da saúde e do autocuidado, reconhecimento que reafirma a potência das práticas integrativas na construção de sociedades mais saudáveis e solidárias.
O tema esteve presente no Webinar Internacional “Experiências Inovadoras para o Fortalecimento da Saúde e do Autocuidado”, promovido pelo Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde, sediado no Peru. O encontro reuniu experiências transformadoras da América Latina, integrando saberes da Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa. Entre os destaques estiveram a Terapia Comunitária Integrativa, do Brasil; a Dieta da Milpa, do México; e o Programa Reforma de Vida, do Peru.
A presidente da ABRATECOM e o professor Adalberto Barreto participaram das discussões, reafirmando a importância da TCI como instrumento de fortalecimento emocional, valorização da cultura popular e reconstrução dos laços sociais. Mais do que uma técnica terapêutica, a Terapia Comunitária Integrativa representa uma pedagogia da escuta, do pertencimento e da solidariedade.
Em tempos marcados pelo sofrimento psíquico, pelo isolamento e pela fragmentação das relações humanas, iniciativas como a TCI demonstram que cuidar da saúde também significa fortalecer comunidades, reconhecer saberes ancestrais e devolver às pessoas a capacidade de falar, ouvir e compartilhar suas dores e esperanças.
No Brasil e em diversos países da América Latina, a Terapia Comunitária Integrativa segue tecendo laços, formando terapeutas comunitários e promovendo uma cultura de paz, acolhimento e humanização. O reconhecimento internacional da OMS não é apenas uma homenagem a uma metodologia brasileira; é também o reconhecimento de que a escuta coletiva pode transformar vidas.
*Maria José Rocha Lima (Zezé) é professora, mestre em Educação e doutora em Psicanálise. Foi deputada estadual de 1991 a 1999.

