ARNALDO Niskier
Da Academia Brasileira de Letras e da
Academia Carioca de Letras
Com a expansão da IA há uma tendência de dificultar a exploração de novos assuntos. Segundo a revista “Nature”, a ferramenta pode provocar a concentração de trabalhos em determinadas áreas.
Cientista que recorreram à tecnologia publicaram três vezes mais artigos, receberam quatro vezes mais citações em seus trabalhos e alcançaram posições de liderança e, investigações científicas em torno de um ano mais cedo em comparação com pesquisadores que não adotaram IAs em seus estudos.
Mais de 230 milhões de pessoas fazem perguntas sobre saúde ao ChatGPT todas as semanas. Essas ferramentas estão disponíveis 24 horas por dia, com funções cada vez mais sofisticadas, no mundo todo. Tem-se o know-how de mais de 260 médicos especialistas, mas tudo isso vem acompanhado de muita cautela. O Dr. ChatGPT não está livre de sofrer alucinações. O perigo se estende ao fato de que temos muitos médicos mal formados, como ficou evidenciado há pouco, quando 1/3 dos cursos de medicina foram condenados por má formação. Há falhas na base e isso é extremamente perigoso. O ChatGPT tornou-se bastante atraente. Um relatório da Universidade de Harvard mostrou que a IA é uma presença incontornável, mas não substitui o médico. Nem é isso que se deseja.
A inteligência artificial não substituirá a humanidade. Irá na verdade expandi-la. Mas, por ora, erra muito e isso é extremamente perigoso.
Cursos de bacharelado em IA sextuplicam em um ano, o que prova o aumento muito grande do interesse pela matéria. A expansão foi ampliada por entidades federais (políticas do MEC), o que é um sintoma extremamente positivo. Cursos de Bacharelado em IA saltaram de 4 para 27, na última edição, um crescimento de mais de 6 vezes em um ano. É considerada uma área estratégica. Em São Paulo, a Universidade de São Paulo, a Universidade de São Carlos tomou a frente desse processo. Mas Rio e Minas também estão se movimentando nessa área. Na região Norte a Universidade de Tocantins está se estruturando no setor. E existe o PBIA(Plano Brasileiro de Inteligência Artificial) que prevê ações de formação profissional em larga escala, visando a reduzir a dependência ao país de tecnologias e talentos estrangeiros.

