
Miguel Lucena
Quando Jesus hesitou diante da hora, Maria, sua mãe, enxergou antes dele o milagre possível. Disse aos serventes que fizessem tudo o que ele mandasse, e a água virou vinho. Desde então, mãe é isso: quem percebe no filho uma força que ele mesmo ainda não conhece.
Mãe carrega no ventre, no colo, na vigília e na memória. Sofre calada, reza dobrado, ensina com o olhar e aponta o caminho quando a estrada parece coberta de pedra.
No Sertão da minha infância, minha mãe fazia do pouco uma abundância. Havia dificuldade, mas havia música. Havia aperto, mas havia poesia. Sua voz era rede, bênção e candeeiro. Com ela aprendi que o amor de mãe não explica: ilumina.
Mãe é o primeiro milagre de Deus dentro de casa.

