Lula terá maior tempo de TV na eleição com alianças partidárias

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Lula tem pouco mais de um minuto de aparição na tevê do que Flávio - (crédito: Emerson Leal/STJ)

Petista dispõe de mais de 5min para dar seu recado, tempo obtido com coligações. “Puro-sangue”, Flávio terá cerca de 4min

As alianças construídas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a reeleição vão lhe proporcionar o maior tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na tevê. Serão cerca de 5min32 no total, alcançados graças ao apoio da federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, além do PSB, PDT e a federação PSol-Rede.

O cálculo de distribuição do tempo de propaganda eleitoral gratuita usa como base uma “tabela de representatividade”, divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Do tempo total, 90% são distribuídos proporcionalmente ao número de deputados federais eleitos em 2022. Os 10% restantes são divididos igualmente entre os partidos que superaram a cláusula de desempenho.

A regra exige que as siglas tenham alcançado, no último pleito, ao menos 13 deputados federais em pelo menos nove unidades da Federação; ou 2,5% dos votos válidos nacionais para a Câmara dos Deputados, também distribuídos em pelo menos nove unidades da Federação, com no mínimo 1,5% em cada. Por isso, ao formar uma coligação que integra 127 deputados, Lula alcançou seu terceiro maior tempo reservado por lei para que partidos apresentem candidatos em emissoras abertas de rádio e tevê.

O maior tempo conquistado por Lula foi em 1989, quando o petista tinha 10 minutos, resultado do apoio da Frente Brasil Popular, formalmente composta pelo PT, PCdoB e PSB. O segundo maior tempo foi o de 2006, quando alcançou 7min21. Em terceiro nesta lista, o atual tempo é cerca de 2 minutos a mais do que o presidente tinha em 2022.

O cenário impõe uma vantagem de mais de 1 minuto de propaganda eleitoral gratuita de Lula sobre seu principal adversário, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que terá cerca de 4min20 para se comunicar com o eleitorado. O tempo foi garantido pelo fato de o partido ter eleito, em 2022, a segunda maior bancada na Câmara, com 98 parlamentares.

Flávio poderia ter alcançado um tempo maior de propaganda eleitoral gratuita, caso tivesse obtido êxito nas alianças com outros partidos. Ao comparar com eleições anteriores, o tempo conquistado por ele contrasta com o do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2022, ano em que perdeu as eleições, Bolsonaro teve 2min45 de tempo de tevê, resultados da coligação entre PL, PP e Republicanos. À época, o tempo era o segundo maior entre os presidenciáveis, mas é 36,54% menor que a janela dada a Flávio.

A diferença ganha força se comparada a 2018, eleição que evidenciou que pouco tempo de propaganda eleitoral não determina o fracasso de uma candidatura. Com apenas 8 segundos de tevê, Bolsonaro foi eleito com 57,7 milhões de votos, derrotando o candidato do PT, Fernando Haddad. O petista tinha 2min23 de tempo de aparição.

Ronaldo Caiado (PSD) é o terceiro com maior tempo: cerca de 2min2. Assim como Flávio, o ex-governador de Goiás não fechou alianças com outros partidos que lhe garantiriam mais tempo de propaganda gratuita. Com isso, depende do tempo de aparição proporcionado pela bancada pessedista na Câmara, a quarta maior com 42 parlamentares.

Augusto Cury (Avante), que também não coligou com outros partidos, é o último presidenciável com tempo de tevê. No total, contará com cerca de 36 segundos para comunicar suas propostas ao eleitorado. Isso porque, na Câmara, o partido tem apenas sete deputados.

Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) não têm tempo de tevê, tendo em vista que não alcançaram o mínimo delimitado pela cláusula de desempenho.

 

 

 

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