Endividamento alcança 50,1% da renda, enquanto juros sobem pelo segundo mês consecutivo, aponta Banco Central

FOLHAPRESS
A inadimplência das famílias no crédito livre, que tem condições livres pactuadas entre bancos e clientes, voltou a bater recorde em setembro, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira (29), totalizando a maior marca da série histórica novamente.
O índice chegou a 8,1% para as pessoas físicas, alta de 0,1 ponto percentual em relação a agosto, quando o indicador também foi o maior da série histórica. Já considerando as empresas, a inadimplência nos recursos livres permaneceu em 6,6%. Esse índice mede a dívida em atraso com mais de 90 dias.
Ao mesmo tempo, o nível de endividamento das famílias em relação à renda também atingiu nível recorde, 50,1% em agosto, alta de 0,2 ponto percentual em relação a setembro.
O endividamento foi tema da campanha eleitoral, vencida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo (25). O governo estrutura um novo Desenrola, no qual a União comprará a dívida antiga das famílias com os bancos. É estimado que R$ 90 bilhões entrem em negociações.
Os dados do Banco Central indicam que as taxas de juros voltaram a crescer em setembro, pelo segundo mês consecutivo, após um trimestre de redução. Em agosto, o juro médio cobrado pelas instituções financeiras tanto de pessoas físicas quanto de empresas foi de 32,4% ao ano, alta de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior.
“Não é possível dizer se é uma nova tendência de aumento de taxas ou algo pontual, de ajuste, no nível médio”, afirmou o chefe do departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, na apresentação dos dados.
Embora a inadimplência tenha se elevado na média, houve uma queda de 0,5 ponto percentual no rotativo do cartão de crédito. Por outro lado, a tendênca de alta continua no crédito consignado, tanto para aposentados e pensionistas quanto no consignado privado total, que foi turbinado pelo governo Lula 3.
Também houve alta de 0,5 ponto percentual nas dívidas do cheque especial.
Já no crédito direcionado, cujas taxas cobradas têm regras definidas pelo governo, a inadimplência recuou 0,2 ponto percentual para as pessoas físicas. Essa modalidade inclui o financiamento imobiliário, o microcrédito, crédito rural e financiamentos via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Nas concessões de crédito, houve um salto em relação aos aposentados e pensionistas. A concessão teve um salto de R$ 4,7 bilhões em agosto para R$ 8,7 bilhões em setembro. Rocha explicou que isso ocorreu devido ao fim da regra que limitou a margem consignável em setembro.
Já no consignado do setor privado, a concessão de crédito recuou 7,7% em setembro.


