Henriqueta Camarotti e o cuidado com a saúde mental: uma voz necessária para o nosso tempo

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Maria José Rocha Lima*

Em tempos marcados pelo crescimento dos transtornos emocionais, pela solidão e pelo sofrimento psíquico, acompanhar a série “Superando a Depressão à Luz da Terapia Transessencial”, disponível no YouTube, apresentada pela psiquiatra Henriqueta Camarotti, tem sido uma experiência enriquecedora e necessária. Sua linguagem clara, humana e cientificamente fundamentada contribui para ampliar a compreensão sobre um dos maiores desafios da saúde pública contemporânea.
Conheci a Dra. Henriqueta Camarotti há mais de uma década, quando tive a oportunidade de convidá-la para participar de uma audiência pública na Câmara dos Deputados. Naquela ocasião, ela já demonstrava a mesma sensibilidade e compromisso social que hoje continuam a marcar sua trajetória. Sua exposição sobre a situação da saúde mental no Brasil revelou não apenas profundo conhecimento técnico, mas também uma rara capacidade de enxergar o sofrimento humano para além dos diagnósticos.
Lembro-me especialmente de sua apresentação sobre o trabalho desenvolvido na Favela do Pirambu, em Fortaleza, por meio da Terapia Comunitária Integrativa, metodologia criada pelo psiquiatra Adalberto de Paula Barreto. Ali, a saúde mental era compreendida como uma construção coletiva, baseada na escuta, no acolhimento e na valorização dos saberes comunitários. Aquela experiência me impressionou profundamente e permaneceu viva em minha memória ao longo dos anos.
Hoje, mais de uma década depois, tenho a alegria de concluir o curso de Terapia Comunitária Integrativa, experiência transformadora que reforçou ainda mais minha admiração por aqueles que dedicam suas vidas ao cuidado do outro. Por isso, faço questão de dedicar esta reflexão à Dra. Henriqueta Camarotti, cuja atuação ajudou a inspirar caminhos de formação, compromisso social e promoção da saúde mental.
Seu trabalho demonstra que o enfrentamento da depressão exige não apenas medicamentos e tratamentos especializados, mas também vínculos humanos, solidariedade e espaços de fala e escuta. Em uma sociedade cada vez mais fragmentada, sua voz reafirma a importância da empatia, do acolhimento e da construção de redes de apoio.
Aplaudo, portanto, a contribuição de Henriqueta Camarotti para a psiquiatria, para a saúde pública e para todos aqueles que buscam compreender e superar o sofrimento emocional. Seu exemplo nos recorda que cuidar da saúde mental é, acima de tudo, cuidar da dignidade humana.

*Maria José Rocha Lima (Zezé) é professora, mestre em Educação e doutora em Psicanálise. Foi deputada estadual de 1991 a 1999.

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