Por Delmo Menezes/Agenda Capital
O PSD oficializou, na manhã deste domingo (26), a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à Presidência da República e confirmou o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, como candidato a vice-presidente. A convenção nacional do partido, realizada em São Paulo, marcou o lançamento da chapa “puro-sangue”, formada exclusivamente por filiados do PSD.
Ao discursar para militantes, parlamentares, prefeitos e lideranças políticas de diversas regiões do país, Caiado afirmou que sua candidatura representa uma alternativa ao cenário de polarização política que domina as eleições nacionais.
“Eu não seria candidato se não fosse a coragem de Gilberto Kassab, que enfrentou todos aqueles que achavam que podiam calar o Brasil e que não teria mais nenhum candidato fora da polarização”, declarou.
Segundo o candidato, a campanha defenderá um novo modelo de gestão pública baseado na experiência administrativa adquirida durante seus dois mandatos à frente do Governo de Goiás.

Defesa da gestão e discurso voltado à segurança
Em sua fala, Caiado destacou os índices de aprovação obtidos ao deixar o governo goiano e afirmou que pretende levar para o governo federal o modelo administrativo implantado no estado.
“Não é possível que o Brasil vá querer optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional. Eleição não é de rejeitados. É de quem traz resultado para a sociedade brasileira. É o que nós demonstramos. Saímos do governo do Estado com 88% de aprovação, mostrando que, quando se tem capacidade para governar, a população reconhece. O que o Brasil precisa é de alguém que tenha coragem de comprar a briga pelo cidadão brasileiro”, afirmou.
Ao longo do discurso, o ex-governador voltou a enfatizar a segurança pública como uma das principais bandeiras de sua campanha e disse que pretende combater a criminalidade com rigor.
Ele citou que teve uma vida política limpa e não se envolveu em “rachadinha, Mensalão, Petrolão, escândalo do Master e os desvios no INSS”. “Aqui não, banco Master, aqui não tem espaço pra bandido crescer”, afirmou o candidato do PSD.
Também afirmou que sua trajetória política foi construída sem envolvimento em escândalos de corrupção, citando episódios que marcaram diferentes momentos da política nacional.
“Aqui não tem espaço para bandido crescer”, declarou.
Críticas aos adversários
Durante a convenção, Caiado direcionou críticas aos principais adversários na disputa presidencial.
O candidato voltou a associar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao histórico de escândalos de corrupção envolvendo governos petistas e criticou a atual polarização política, classificando-a como “o máximo da estupidez”.
Em referência ao senador Flávio Bolsonaro, utilizou uma comparação bem-humorada ao afirmar que ele seria um “Kinder Ovo”, acrescentando que “todo dia é uma surpresa”. Em outro momento, comparou sua própria trajetória à de um “galo de terreiro”, enquanto definiu o adversário como um “frango de granja”.
Antes de subir ao palco, durante entrevista coletiva, Caiado também afirmou:
“Como um homem temente a Deus, a gente já tem o sentido que vai ser uma longa luta, e que Deus seja bom pela vitória.”
Kassab será parceiro na campanha
Anunciado como vice no início deste mês, Gilberto Kassab terá participação ativa na campanha e, segundo Caiado, também em um eventual governo.
Fundador do PSD em 2011, Kassab foi prefeito de São Paulo, ministro nos governos Dilma Rousseff e Michel Temer e secretário do Governo de São Paulo na gestão de Tarcísio de Freitas. Sob sua liderança, o PSD consolidou-se como uma das maiores forças políticas do país, reunindo atualmente o maior número de prefeitos entre os partidos brasileiros.
Até o momento, a legenda optou por disputar a eleição presidencial sem formar coligações nacionais.
Convenção reuniu lideranças nacionais
O evento contou com a presença de diversas lideranças políticas, entre elas o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite; o governador de Goiás, Daniel Vilela; o governador do Paraná, Ratinho Junior; o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda; o ex-ministro Aldo Rebelo; o ex-ministro Ronaldo Fonseca; e o empresário e ex-governador do Distrito Federal Paulo Octávio, além de centenas de pré-candidatos de todo o Brasil.
Os governadores Raquel Lyra (Pernambuco) e Eduardo Paes (Rio de Janeiro) não participaram presencialmente, mas enviaram representantes ao encontro.
Segunda tentativa de chegar ao Planalto
A disputa deste ano representa a segunda candidatura presidencial de Ronaldo Caiado.
Médico ortopedista e produtor rural, natural de Anápolis (GO), Caiado iniciou sua carreira política como um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR), entidade criada durante os debates sobre a reforma agrária na década de 1980.
Em 1989, disputou a primeira eleição presidencial direta após o regime militar pelo antigo PSD, legenda sem relação com o atual partido de mesmo nome. Na ocasião, terminou em décimo lugar entre 22 candidatos.
Posteriormente, construiu uma trajetória como deputado federal, senador e governador de Goiás por dois mandatos consecutivos, cargo ao qual renunciou em março deste ano para disputar novamente a Presidência da República.
Com a oficialização da chapa Caiado-Kassab, o PSD entra definitivamente na corrida eleitoral defendendo uma candidatura própria e apostando na experiência administrativa de seus principais dirigentes como diferencial para a campanha presidencial.

