Por Maria José Rocha Lima – Zezé
A educação pública do Distrito Federal enfrenta um momento que exige atenção, diálogo e responsabilidade. Os professores, que diariamente assumem a tarefa de ensinar e contribuir para a formação de milhares de estudantes, precisam ser respeitados, valorizados e ouvidos. Defender esses profissionais é também defender o direito da população a uma educação pública de qualidade.
Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), em agosto de 2026, acendem um sinal de alerta. Segundo os dados apresentados, a rede pública do Distrito Federal não atingiu as metas estabelecidas nas etapas avaliadas. No Ensino Médio, o índice recuou de 4,2 para 4,1, resultado que demanda uma análise cuidadosa das condições de ensino e das políticas educacionais adotadas.
O Ideb combina o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática com as taxas de aprovação escolar. Portanto, seus resultados não podem ser interpretados isoladamente, nem utilizados para responsabilizar os professores pelas dificuldades de aprendizagem. É necessário investigar os fatores que influenciam o cotidiano escolar, entre eles as condições de trabalho, a infraestrutura das escolas, o número de estudantes por turma, a formação continuada, a gestão educacional e as desigualdades sociais.
É nesse contexto que ganham relevância as reivindicações do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF). A pauta da categoria inclui a reestruturação da carreira, a valorização salarial, a realização de concursos públicos, a redução da superlotação das salas de aula e a melhoria das condições de trabalho. São questões que precisam ser enfrentadas por meio do diálogo entre os profissionais da educação e o poder público.
Não se pode cobrar resultados sem assegurar condições adequadas para alcançá-los. A qualidade da educação depende de professores preparados e respeitados, mas também de escolas bem estruturadas, equipes suficientes, recursos pedagógicos e políticas públicas contínuas. A valorização do magistério não deve ser tratada como uma despesa dispensável, mas como parte essencial do compromisso com a aprendizagem.
Os indicadores educacionais precisam ser compreendidos como instrumentos de diagnóstico e planejamento. Quando as metas não são alcançadas, cabe aos gestores examinar as causas, apresentar medidas concretas e prestar contas à sociedade. O desafio não se resolve com discursos nem com a transferência de responsabilidades, mas com planejamento, investimento, acompanhamento e participação da comunidade escolar.
O Distrito Federal possui uma história importante na educação brasileira e tem a responsabilidade de assegurar que suas escolas ofereçam oportunidades reais de aprendizagem a todos os estudantes. Os resultados do Ideb devem mobilizar o poder público, os educadores, as famílias e a sociedade para uma reflexão séria sobre os caminhos necessários à melhoria do ensino.
As reivindicações do Sinpro-DF precisam ser debatidas com transparência e respondidas com responsabilidade. Ouvir os professores é reconhecer que aqueles que vivem diariamente a realidade das escolas têm contribuições indispensáveis para a formulação e a execução das políticas educacionais.
Em defesa dos professores do Distrito Federal, é preciso afirmar que não existe educação pública de qualidade sem valorização profissional, condições dignas de trabalho e compromisso efetivo com a aprendizagem. Os resultados educacionais devem servir para orientar mudanças, corrigir problemas e fortalecer a escola pública — nunca para silenciar quem dedica sua vida à formação das novas gerações.
Valorizar os professores é respeitar a educação. E respeitar a educação é assumir um compromisso com o presente e o futuro do Distrito Federal.
Maria José Rocha Lima -Zezé- é professora, mestre em educação pela UFBA e doutora em psicanalise. Foi Presidente da APLB- Sindicato dos Trabalhadores em Educação e Vice- presidente da CNTE para a Região Nordeste. Foi deputada de 1991 a 1999.

