Por Otoniel Saraiva
Chega o fim das eleições de 2026, e o que se encerra não é apenas um ciclo de votações, mas um ano inteiro de promessas, comícios, vozes que se elevaram e vozes que se calaram.
Pelas urnas passaram escolhas para governadores, senadores, deputados federais e estaduais — cada cargo uma peça que vai ou não permanecer no tabuleiro da República.
Para muitos, a vitória veio com o brilho da confirmação: o mandato renovado, a cadeira mantida, o nome gravado de novo na lista dos que continuam a servir, ou a servir-se, no poder.
Mas para outros, a noite da apuração trouxe um silêncio pesado, e é sobre esses que a história menos fala.
Quando a reeleição não acontece, não é só um cargo que se perde. É um mundo inteiro que desmorona devagar, em silêncio, sem manchetes nem aplausos.
O deputado que não renova vê, pouco a pouco, sumir tudo o que parecia sólido. A estrutura que levou anos para construir desfaz-se como fumaça: o gabinete que foi lar e escritório ao mesmo tempo, a equipe que trabalhava lado a lado, os contatos que abriam portas e agora já não respondem.
O prestígio que acompanhava o cargo some na mesma velocidade em que os votos não chegam. O telefone que tocava o dia inteiro emudece; os convites que chegavam aos montes param de vir.
Autor: Otoniel Saraiva é economista, advogado e ex-deputado estadual pela Bahia.



