Em clínica no Guará, Anvisa investiga fraude com órteses e próteses

0
RAFAELA FELICCIANO/METRÓPOLES

Fiscais da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) deflagraram uma operação, nesta quinta-feira (16/11), na Vytal Med Produtos Hospitalares, no Centro Clínico do Guará. A empresa, cujo dono é Alírio Silva Furtado, é especializada em vender instrumentos médicos para unidades de saúde e laboratórios. Há denúncia de que o estabelecimento comercializava medicamentos sem autorização e fornecia órteses e próteses nacionais a preço de material importado para a realização de cirurgias, com a anuência de médicos.

A ação é um desdobramento das investigações sobre a Máfia das Próteses, cujos integrantes são suspeitos de fazer cirurgias ortopédicas desnecessárias em pacientes. A intenção era receber dos planos de saúde valores pelos procedimentos.

Segundo a Anvisa, a Vytal Med teria também comercializado motores cirúrgicos sem origem, o que poderia ser fruto de contrabando ou receptação, atitude com “elevado potencial de risco”. O órgão investiga ainda a denúncia de que um hospital da Asa Sul estaria envolvido na fraude, ao receber o material destinado a cirurgias no rosto.

Durante a operação, os fiscais da Anvisa pediram reforço da Polícia Civil do DF. Agentes da 4ª Delegacia de Polícia (Guará) foram enviados ao local.

Réus
Desmontada após a deflagração da Operação Mr. Hyde, em setembro do ano passado, a Máfia das Próteses é acusada de fraudar pacientes e planos de saúde. O grupo, segundo as investigações, induzia as vítimas a passar por cirurgias desnecessárias e com materiais de baixa qualidade para que a empresa TM Medical pudesse aumentar seu lucro. Treze pessoas foram presas na ocasião.

Segundo as apurações conduzidas pela Polícia Civil do DF (PCDF) e pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), a companhia, com sede no Sudoeste, fornecia órteses, próteses e equipamentos especiais para operações médicas. Quanto mais materiais caros eram usados em cirurgias para colocação desses produtos, maior era a propina recebida pelos médicos, que chegavam a ganhar 30% extras sobre o valor pago pelas operadoras.

No dia 23 de setembro de 2016, o juiz substituto Caio Todd Silva Freire, da 2ª Vara Criminal, aceitou a denúncia contra 17 das 19 pessoas acusadas pelo Ministério Público de integrar a organização criminosa. Os únicos denunciados que não viraram réus são Nabil Nazir El Haje, dono do Hospital Home, e Cícero Henrique Dantas Neto, diretor da unidade.

A propina geralmente era paga por depósitos nas contas dos médicos ou então entregues em espécie nas proximidades dos hospitais onde ocorriam as intervenções.

Comentar

Please enter your comment!
Please enter your name here