domingo, 01/11/26

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Dinheiro que era gasto com bets eleva vendas de alimentos em supermercados

Desde a proibição das casas de apostas on-line, houve aumento de 6,5% do consumo de comida, de acordo com a Abras. Dado é comemorado por Geraldo Alckmin, mas contestado por entidades do setor legalizado

Grande parte dos micro e pequenas empresários é a favor do fim das bets – (crédito: maurenilson)

 

A proibição das casas de apostas on-line refletiu no padrão de consumo alimentar dos brasileiros, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Conforme dados da entidade, desde o fim de setembro, houve um aumento de 6,5% na venda de alimentos essenciais, como arroz, óleo, macarrão e café, em todo o país, em comparação com o mesmo período de 2025.

Em 25 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Medida Provisória 1.394/2026, que proíbe o funcionamento das casas de apostas esportivas e dos jogos on-line de quota fixa no país.

O presidente da Abras, João Galassi, associou o crescimento à queda nas transações por meio do meio de pagamento instantâneo Pix. Imediatamente após a proibição, as transações caíram cerca de 10%. Depois, esse recuo passou para 7%.

Na avaliação do executivo, parte do dinheiro que antes era destinado às bets passou a ser utilizado para a compra de alimentos. No entanto, ainda não é possível afirmar a real causa do crescimento nas vendas. “Isso quer dizer que as pessoas estão comprando mais produtos, o que comprova que o fim das bets beneficia muito a população brasileira, porque aumenta o consumo dos alimentos”, disse Galassi.

Na semana do dia 5 ao dia 11 de outubro, as vendas aumentaram 6,5%, enquanto na semana do dia 12 ao dia 17 o crescimento foi de 6,3%. “O supermercado vende qualidade de vida, vende saúde, e o que temos observado, muitas vezes, é que as bets vendem uma doença social”, acredita o vice-presidente da Abras, Marcio Milan.

Segundo a associação, o crescimento pôde ser visto na Região Sul e em parte da Região Sudeste, no bloco formado por Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro. As áreas tiveram um aumento de 10,6% em comparação com o ano passado.

Já no Nordeste, as vendas cresceram 6,5%; no interior paulista, 5,6%; na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, 4%; e, no Centro-Oeste, 3,6%. O percentual mais baixo foi registrado na Grande São Paulo, com alta de 1,2%. Os dados foram divulgados na última semana, durante a feira Supervendas, em Aracaju, capital sergipana.

Apesar de já estar em vigor, a medida provisória ainda precisa ser analisada por deputados e senadores. No Congresso, a proposta enfrenta resistência de parlamentares e de setores econômicos afetados, incluindo clubes de futebol patrocinados por empresas de apostas.

O levantamento da Abras também repercutiu entre integrantes do governo e parlamentares. O senador e vice-presidente do Senado, Humberto Costa (PT-PE), comemorou os dados e afirmou que a proibição das bets contribui para direcionar os recursos das famílias a despesas essenciais. “É dinheiro que deixa de alimentar as apostas e volta para o que realmente importa: a comida na mesa e a dignidade das famílias brasileiras!”, escreveu.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, também compartilhou os números nas redes sociais. Ele ressaltou a alta nas compras de arroz, óleo, macarrão e café e relacionou o resultado à decisão do presidente Lula sobre o fim das casas de apostas on-line. “O dinheiro das bets está voltando para a mesa do brasileiro”, afirmou. Alckmin também aproveitou a publicação para defender a atuação do governo: “Governar é escolher, e o presidente Lula escolhe sempre o povo brasileiro”.

Contestação

Em nota, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) contestaram os dados divulgados pela Abras. Segundo as entidades, os números não comprovam uma relação direta entre o fim das bets legalizadas e o crescimento do consumo.

O IBJR argumentou que o varejo alimentar já apresentava alta antes da medida provisória, com avanço nominal de 7,9% entre 14 e 20 de setembro, e de 7,4% entre 5 e 11 de outubro, na comparação com os mesmos períodos de 2025. A entidade também aponta que fatores como melhora do emprego e da renda, redução dos preços dos alimentos e reajuste de 15% do Bolsa Família podem ter contribuído para o aumento das compras. A ANJL acrescentou que, segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de outubro, produtos como cenoura, frutas e café registraram queda nos preços.

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA-15 desacelerou em outubro na comparação com setembro, passando de 0,48% para 0,18%. Dos nove grupos pesquisados, três apresentaram queda em outubro: alimentos e bebidas, que recuou 0,02%; artigos de residência (-0,64%) e comunicação (-0,09%).

 

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