sábado, 20/06/26
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Brasil x EUA: Trump diz ter ‘observado’ Lula no G7 e afirma que brasileiro é ‘muito volátil’

Presidente dos EUA criticou o líder brasileiro em entrevista ao Axios. Trump e Lula têm se afastado desde encontro na Casa Branca, em maio. Líderes se encontraram brevemente nesta semana no G7, na França.

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o presidente Lula é uma pessoa “muito volátil”, e que “não poderia se importar menos” com o líder brasileiro.

A fala de Trump foi dada em entrevista ao site norte-americano Axios e divulgada nesta sexta-feira (19). A declaração ocorre em um contexto de tensão entre Estados Unidos e Brasil, após o governo norte-americano aplicar um novo tarifaço contra produtos brasileiros e classificar as facçõesPCC e CV como grupos terroristas.

Perguntado se era fã de Lula, Trump disse que não pensa nele e teceu críticas ao presidente brasileiro. “Realmente não penso nele. Não estou nem aí. Mas agora ele é um tipo de pessoa diferente. Ele é muito volátil. Eu vi como ele fez um discurso. Foi muito volátil, e tudo bem”, disse. Leia o trecho completo abaixo.

Axios: Você tem experiência, obviamente, com líderes mundiais ao longo de seus dois mandatos. Qual é a sua definição de um grande líder? Como o define?

Trump: Bem, existem muitos tipos diferentes de líderes. Ontem, por exemplo, vou mencionar esse nome novamente porque ele é bastante notável. Sabe, durante toda a minha vida acompanhei a Índia. Eles continuavam mudando de líder, mudando, mudando. Alguém ficava seis meses, depois um ano. E então, de repente, o primeiro-ministro Modi chegou ao cargo. Ele está lá há mais de 12 anos, muito sólido. E ele faz isso com uma grande serenidade, embora não seja uma pessoa calma. É um sujeito muito duro. Eu o conheço muito bem. E há líderes muito diferentes entre si. Eu observei o Brasil, o líder de lá, que conheço um pouco. Tivemos alguns contatos. Ele é uma pessoa muito volátil.

Axios: Você não é fã de Lula, se não me engano.

Trump: Não se trata de ser fã ou não ser fã. Para ser sincero, eu não penso nele. Realmente não penso nele. Não poderia me importar menos. Mas agora ele é um tipo diferente de pessoa. Muito volátil. Eu o vi fazendo um discurso. Foi um discurso muito volátil, e tudo bem. Existem todos os tipos de pessoas. Então, quando você fala de líderes, quando pergunta o que todos eles têm em comum, veja: todos são inteligentes. Você não chega a esse nível sem ser inteligente. Sabe quem é muito inteligente? O presidente Xi, da China. Ele é um homem muito inteligente. Você não alcança esses níveis, governando um país — mesmo que seja um país pequeno — sem ter algo especial. Em alguns casos, as coisas não dão certo, mas é preciso ter algo especial. Não é uma tarefa fácil.

 

Encontro no G7

Nesta semana, Trump e Lula participaram da cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França, e se cumprimentaram brevemente na terça-feira (16).

Na quarta (17), o presidente norte-americano foi questionado sobre sua interação com Lula. Trump respondeu que conversou com o líder brasileiro, mas não revelou o conteúdo do diálogo. Ele também chamou o Brasil de “país politicamente complicado”.

“Tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente”, afirmou Trump.

 

Momentos depois, foi a vez de Lula ser questionado sobre as falas de Trump. O presidente brasileiro disse que o líder norte-americano precisa “aprender com as eleições civilizadas” do Brasil e que não pode se meter no processo eleitoral do país.

 

“Se tem alguém que tem que aprender com eleições civilizadas no Brasil é o meu amigo Trump. Na próxima vez [que encontrar Trump], vou levar a urna eletrônica para mostrar como ela funciona”, disse Lula.

 

Confusão com ‘Bolsonaro Júnior’

Na mesma entrevista em que chamou o Brasil de “um país politicamente complicado”, Trump pareceu confundir os filhos de Bolsonaro: Flávio e Eduardo Bolsonaro.

“Tem sido desagradável. Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque ele deu uma declaração no Texas. Prenderam ele, ou querem prender ele.”

 

A confusão de Trump entre os filhos de Bolsonaro ocorreu um dia depois de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenar o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL) por tentativa de interferir no julgamento do pai na trama golpista. Eduardo foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão.

Eduardo, no entanto, não foi preso. A condenação dele ainda não transitou em julgado, uma vez que ainda precisa ser publicada e que cabem recursos. Após essa fase, será declarado o chamado trânsito em julgado (a partir desse momento, não caberão mais recursos), e a Justiça vai decretar o início do cumprimento da pena do ex-deputado, que hoje vive nos Estados Unidos.

Além disso, Eduardo não é pré-candidato à presidência, mas sim o seu irmão, Flávio Bolsonaro — que não responde a processo.

 

 

 

 

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