Reuters afirmou que decisão veio após apelo de Trump. Mais cedo, Irã também afirmou que pausaria ataques. Os dois países fizeram bombardeios mútuos, rompendo com o cessar-fogo em vigor no Oriente Médio. Segundo rede israelense Canal 12, pausa não valerá para o Líbano.

Dois homens examinam um foguete caído, parcialmente enterrado no solo, nos arredores de Jericó, Cisjordânia, em 8 de junho | Crédito: Ahmad GHARABLI / AFP
Israel suspendeu nesta segunda-feira (8) os ataques ao Irã a pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo a agência de notícias Reuters e a rede de TV israelense Canal 12, citando fontes do alto escalão do governo de Benjamin Netanyahu. A pausa ocorre horas depois de o Irã dizer que também ia interromper os ataques.
No domingo (7) e na madrugada de segunda, os dois países voltaram a trocar bombardeios, interrompendo o cessar-fogo em vigor desde abril e lançando a guerra no Oriente Médio a uma escalada sem precedentes.
Citando as fontes do governo, a agência de notícias Reuters afirmou que Israel decidiu interromper os ataques após o premiê israelense falar ao telefone com Trump — na semana passada, os dois se desentenderam após o norte-americano exigir que Netanyahu parasse os ataques ao Líbano. O pedido dos EUA foi ignorado por Israel.
Nesta segunda, Trump havia exigido que tanto o Irã quanto Israel parassem o “tiroteio”. “Israel e o Irã devem parar imediatamente o ‘tiroteio'”, escreveu o presidente norte-americano em sua rede social Truth Social.
A suspensão dos ataques israelenses, no entanto, valerá apenas para bombardeios ao Irã, e a ofensiva no Líbano seguirá, disse ainda a fonte ouvida pelo Canal 12. A reportagem da rede de TV também afirmou que os ataques israelenses no sul do Líbano continuarão com força total nos próximos dias e que haverá bombardeios também à capital Beirute caso o grupo terrorista Hezbollah siga atacando o norte de Israel.
A ofensiva israrlenese no Líbano motivou o Irã ao ataque lançado a Israel no domingo, revidado por forças israelenses com bombardeios ao território iraniano.
O governo de Israel ainda não havia confirmado oficialmente a versão de que interromperá os ataques ao Irã.
As Forças Armadas de Israel divulgaram mais cedo imagens do ataque que fez ao território iraniano.
O ataque foi uma retaliação aos mísseis que Teerã lançou no domingo (7).
As imagens, segundo as forças israelenses, mostram o momento em que mísseis de Israel atingem sistemas de defesa aérea do Irã. Em comunicado, as Forças Armadas de Israel afirmaram que os sistemas atingidos abrigavam mísseis destinados a atingir aeronaves.
O Irã culpou nesta segunda-feira (8) os Estados Unidos pela troca de ataques que travou com Israel no fim de semana.
O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou ainda que as ações israelenses não podem ser dissociadas das políticas americanas. Segundo Baghaei, os novos ataques só agravam o “processo diplomático caótico” com os Estados Unidos e aumentam ainda mais a desconfiança de Teerã em relação a Washington.
Esmaeil Baghaei acrescentou que os EUA têm responsabilidade direta pelas recentes violações do cessar-fogo e que Israel não toma medidas independentes sem consultar Washington.
Mais cedo, Israel realizou ataques a “alvos militares” no Irã na manhã de segunda (noite de domingo, 7, no horário de Brasília), segundo o site americano Axios.
Explosões foram ouvidas em Teerã, Tabriz e Isfahan, segundo a rede de TV Al Jazeera.
Os bombardeios representam uma escalada bélica na região e a quebra definitiva do cessar-fogo estabelecido em abril na região. É a primeira vez desde abril que Israel e Irã se atacam mutuamente.
Esta também é a segunda vez em menos de 24 horas que Israel desafia Donald Trump e realiza ataques a países da região.
“A Força Aérea Israelense atacou alvos militares pertencentes ao regime terrorista iraniano no oeste e centro do Irã há pouco”, disseram as forças de Israel, em suas redes sociais.
Trump tentou estabelecer um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, que atua no Líbano, durante a semana. Israel violou o acordo, no entanto, bombardeando Beirute.
Após os ataques israelenses à capital do Líbano, Beirute, o Irã lançou uma série de mísseis em direção a Israel neste domingo (7).
O presidente dos EUA, Donald Trump, ligou então para Benjamin Netanyahu, o premiê israelense, pedindo para que não houvesse resposta militar contra Teerã.
Ao jornal “Financial Times”, Trump disse que Netanyahu “não tinha opção” a não ser aceitar o acordo de paz entre Washington e Teerã, pois é ele, Trump, quem “dá as cartas” — o acordo está em fase de negociação e ainda não foi assinado.
O anúncio foi feito pelo principal negociador do Irã nas conversas com os EUA, Mohammad Qalibaf, que também é presidente do Parlamento iraniano e uma das figuras centrais de poder no país.
“Eles não estão comprometidos com um cessar-fogo nem acreditam no diálogo e, por meio do bloqueio naval e da violação dos acordos relativos ao Líbano, demonstraram que só entendem a linguagem do poder”, disse Qalibaf em uma publicação em suas redes sociais.
Desafio a Trump
O ataque de Israel ao Líbano também foi um desafio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que garantiu na semana passada que Israel não voltaria a bombardear o Líbano. As desavenças entre os aliados EUA e Israel por conta do Líbano geraram inclusive uma discussão entre Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
O presidente dos EUA confirmou ter chamado Netanayhu de “completamente louco” por conta dos ataques de Israel no Líbano e criticou as incursões.
Trump se referia aos constantes ataques que Israel tem feito ao vizinho Líbano em meio ao cessar-fogo em vigor no conflito do Oriente Médio. O Paquistão, que media as negociações, e o Irã insistem em que o Líbano estava contemplado na trégua, enquanto EUA e Israel insistem que apenas ataques em território iraniano e nos países do Golfo Pérsico.
Além disso, na semana passada, o presidente norte-americano afirmou que Israel e o grupo terrorista Hezbollah concordaram em fazer uma trégua nos ataques no Líbano e no norte do território israelense. Israel luta no Líbano contra o Hezbollah, o grupo terrorista libanês que é financiado pelo Irã e faz constantes ataques no norte de Israel.
Fonte: g1


