quarta-feira, 29/04/26
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Zema afirma que equilíbrio de poderes depende de Supremo ‘sem rabo preso’

‘Eles estão lá tentando fazer o quê? Evitar investigações’, disse ex-governador em visita ao interior de São Paulo. Zema também reagiu a falas de Gilmar Mendes e o chamou de esnobe após ter sotaque mineiro ironizado.

O ex-governador Romeu Zema (Novo), em visita à Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Érico Andrade/g1

 

O pré-candidato à presidência Romeu Zema (Novo) questionou, nesta terça-feira (28), a independência do trabalho dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e retomou uma troca de farpas com o ministro Gilmar Mendes, que recentemente ironizou o sotaque do ex-governador de Minas Gerais.

“Eu acho que nós precisamos é de ter também um Supremo sem o rabo preso. Hoje, eles estão lá tentando fazer o quê? Evitar investigações”, disse o pré-candidato à Presidência da República, em visita à Agrishow, feira de tecnologia agrícola em Ribeirão Preto (SP).

 

Zema falou sobre o assunto ao ser questionado sobre como seria possível existir uma harmonia entre os três poderes em um cenário em que ele, crítico da atual estrutura do STF, assumisse o Executivo. O ex-governador também ressaltou que as críticas dele não são direcionadas a nenhum ministro.

“O excesso de ar-condicionado, de bajuladores, tem feito mal a alguns brasileiros que na minha opinião estão até se isolando da sociedade. E está claríssimo, até porque o Supremo hoje é o ente, um instituto público que tem menos credibilidade no Brasil. Precisamos mudar essa visão desses intocáveis que fica muito claro esse distanciamento deles, esse discriminação.”

Após ser ironizado por Zema com um fantoche em um dos vídeos da série “Intocáveis”, Mendes pediu a inclusão de Zema no inquérito das “fake news” ao relator Alexandre de Moraes e, ao comentar o pedido, utilizou um exemplo de algo que ele avalia que Zema não aceitaria ser relacionado.

“Imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo?”, falou o ministro durante a entrevista. Mais tarde, nas redes sociais, Mendes se desculpou.

Diante disso, Zema entrou com um pedido de investigação contra o decano por homofobia, mas a Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou a solicitação.

“Em 2018 eu estava com um por cento das intenções de voto, eu não tenho intenção de atacar ninguém, eu tenho intenção é de mostrar propostas para o Brasil, nós precisamos de uma reforma profunda no judiciário. E se eles se sentiram ofendidos é porque não estão querendo, querem que o Supremo continue sendo o Supremo Tribunal de Negócios como ele tem se transformado.”

Ironia ao sotaque mineiro

 

No interior de São Paulo, o ex-governador também reagiu a falas de Gilmar Mendes ironizando o sotaque mineiro do pré-candidato à Presidência da República ao reagir a vídeos com críticas ao trabalho do Supremo.

“Eu falo português, o mineirês, que inclusive sou do Triângulo Mineiro, muito próximo aqui a Ribeirão Preto, e tenho até orgulho do meu sotaque, que tem uma semelhança muito grande aqui com essa região de São Paulo. Acho que o ministro é que está utilizando um português muito esnobe”, disse.

 

Desde que se colocou como um possível nome para disputar o Executivo, Zema tem feito críticas a decisões e gastos do Supremo Tribunal Federal, sugerido mudanças no judiciário e publicado vídeos pela série “Intocáveis”, em que tem ironizado ministros.

Em uma de suas últimas publicações, depois de ser incluído no inquérito das “fake news” pelo decano, ele mostra uma representação fictícia do ministro solicitando a Alexandre de Moraes a inclusão de Zema na investigação.

Em resposta, durante uma entrevista para uma emissora de TV, Gilmar Mendes ironizou o sotaque do ex-governador mineiro ao dizer que ele utilizava um dialeto próximo do português e que não conseguia compreender o que ele dizia.

Zema critica Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Zema critica Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Segundo o pré-candidato a presidente, as falas do decano mostram um isolamento do Supremo com relação à sociedade.

“Até por estar isolado da sociedade brasileira, ele deveria comparecer a um evento igual esse aqui, que aí ele iria perceber que eu converso a mesma língua do produtor rural. Eu que sempre percorri o interior de Minas, converso um linguajar que é de quem trabalha o dia todo, quem tá no sol quente”, disse Zema, em resposta.

 

Na segunda-feira (27), foi a vez de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Flávio Bolsonaro (PL) visitarem a feira, em um primeiro ato pré-eleitoral conjunto entre o governador, que acena com a tentativa de buscar a reeleição, e do senador, que anunciou sua pré-candidatura à presidência da República.

Durante o evento, eles fizeram críticas ao governo federal, principalmente às políticas voltadas para o setor agropecuário.

Até sexta-feira, existe a expectativa de que outros pré-candidatos visitem a feira em Ribeirão Preto.

 

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