quinta-feira, 25/06/26
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Terremoto na Venezuela testará a aliança entre Trump e Delcy Rodríguez

Tragédia ocorre em momento de frágil transição política e econômica, quando o novo governo se preparava a divulgar a reestruturação da dívida de US$ 240 bilhões, muito superior às projeções iniciais.

Donald Trump e Delcy Rodríguez – Foto: Anna Moneymaker/ Carolina Cabral/Getty Images

 

O terremoto mais forte em um século atinge a Venezuela em momento de frágil transição política e econômica, cinco meses após a intervenção do governo Trump, que capturou o ditador Nicolás Maduro a esposa Cilia e pôs no comando do país a vice-presidente Delcy Rodríguez.

E ocorre justamente quando o país se preparava para divulgar a reestruturação da dívida de US$ 240 bilhões (cerca de R$ 1,2 trilhões), a maior da história, superando em torno de US$ 100 bilhões (R$ 520 bi) as projeções anteriores.

A tragédia, que se revela mais grave com o passar das horas, testará o apoio dos EUA em ajuda humanitária e nos esforços para a recuperação do país, em sua nova conjuntura política. A troca de comando na Venezuela ocorreu sob a batuta de Trump e seu secretário de Estado, Marco Rubio, que optaram por preservar a estrutura chavista.

Com Maduro preso, à espera de julgamento por acusações de narcoterrorismo, os EUA empreenderam a retomada das relações diplomáticas com a Venezuela, aliviando pesadas sanções e assumindo a gestão e a venda de grandes estoques de petróleo venezuelano. Em comício nesta terça-feira na Pensilvânia, Trump se declarou feliz com a operação militar de 48 minutos em janeiro em Caracas:

“Estamos ganhando muito dinheiro com a Venezuela. E a Venezuela está indo muito bem. Também temos um país — é um país feliz agora”.

A presidente Delcy se revelou pragmática e seguiu as instruções de Washington. Para consolidar o poder, substituiu aliados de Maduro, abriu a economia e permitiu operações militares americanas no país. A grande maioria dos venezuelanos ainda amarga dificuldades, com a inflação anual estimada em 524%. Cerca de 2.200 presos políticos foram liberados, mas ainda há 600 encarcerados.

Ao celebrar esta semana a retomada das relações com os EUA, ela refletiu o momento atual em elogios. Considerou, por exemplo, que a captura de Maduro, no dia 3 de janeiro, marcou um ponto de virada na política venezuelana e nas relações externas. “Já se passaram seis meses e sinto que foi o caminho certo”, resumiu.

O terremoto que abalou o país, contudo, muda os prognósticos otimistas de Trump e Delcy na recuperação da economia já depauperada por hiperinflação e má-gestão estatal. Uma estimativa preliminar do Serviço Geológico dos EUA prevê perdas de até US$ 100 bilhões.

Os serviços de saúde em colapso e a escassez crônica de suprimentos básicos como alimentos e medicamentos são fortes indicativos da falta de preparo do país para enfrentar uma tragédia dessa magnitude. Caberá aos EUA, de Trump, honrarem a aliança firmada com Delcy e seus novos amigos venezuelanos.

 

 

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