domingo, 27/09/26
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Pensada para carros, testada pelo clima: como o planejamento de Brasília afeta a mobilidade em tempos de aquecimento global

Eventos climáticos cada vez mais extremos paralisam grandes cidades, incluindo a capital. Especialistas discutem como crescimento do DF pode realçar episódios extremos do clima.

Ao longo dos anos, eventos climáticos – cada vez mais extremos – se tornaram capazes de paralisar grandes centros urbanos. O direito de ir e vir é um desafio urbano que mobiliza especialistas e altera as rotinas de milhares de pessoas em todo o mundo. No Distrito Federal, não é diferente.

Na primeira em uma série de três reportagens, o g1 mostra, com o auxílio de especialistas, como a construção e o crescimento da capital impactam na mobilidade urbana e são capazes de realçar episódios extremos do clima.

Brasília, símbolo modernista

Monumentalidade, concreto, formas geométricas e curvas. Brasília foi fundada na década de 1960, no meio do Planalto Central, e logo se tornou um dos mais expressivos símbolos da arquitetura moderna em todo mundo.

O modernismo surgiu, entre as décadas de 1930 e 1940, da necessidade de dar conforto às populações que viviam em cidades inchadas pela Revolução Industrial.

Segundo o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) do DF, Ricardo Meira, o plano original do arquiteto Lúcio Costa valorizava a “caminhabilidade”.

“Ele pensou na lógica em que as pessoas, a uma distância máxima de 500 m da sua casa, tivessem tudo o que precisassem, inclusive lazer, educação, igreja, comércio.”

 

Longos trechos viários: as vias urbanas do DF na década de 1960 e 1970

Viaduto da via EPNB durante os primeiros anos da construção capita — Foto: Arquivo Público do Distrito Federal/Reprodução
Eixo Rodoviário Sul do Plano Piloto, em Brasília, e suas quadras, entre os anos de 1957-1960 — Foto: Arquivamento Público do Distrito Federal/Reprodução
Construção de tesourinhas em uma superquadra, registrada entre 1957 e 1960, em Brasília — Foto: Arquivo Público do DF/Reprodução
Construção das edificações próximas ao Eixão, registrada entre os anos de 1957 e 1960, em Brasília — Foto: Arquivo Público do Distrito Federal/Reprodução
Construção dos viadutos do Eixo Rodoviário Sul, registrada entre os anos de 1957 e 1960, em Brasília — Foto: Arquivo Público do Distrito Federal
Construção das edificações próximas à W3 sul, registrada entre os anos de 1957 e 1960, em Brasília — Foto: Arquivo Público do Distrito Federal/Reprodução
Construção do viaduto de entrada de uma superquadra, registrada entre os anos de 1957 e 1960, em Brasília — Foto: Arquivo Público do Distrito Federal/Reprodução

 

A ideia vale para o Plano Piloto, mas não se expandiu com o crescimento populacional e o surgimento das regiões administrativas, explica a professora da Universidade de Brasília (UnB) e doutora em arquitetura Liza Andrade.

“As cidades satélites não foram completamente urbanizadas, com desenvolvimento econômico suficiente, o que cria ainda dependência do Plano Piloto. Brasília é muito espalhada. Isso tudo é difícil para a mobilidade urbana”, afirma.

 

A especialista destaca o conceito de monofuncionalidade, também ligada ao modernismo – ou seja, a ideia de criar setores específicos para moradia, trabalho, lazer.

A partir daí, nasce também a necessidade de que a grande maioria da população se desloque com mais frequência para cumprir as tarefas diárias. Onde se mora, quase não se trabalha e quase não se diverte.

“Brasília foi planejada para abrigar uma população estimada de 500 mil habitantes. O DF, hoje, tem mais de 3 milhões. Isso gera um imenso fluxo diário pendular entre o Plano Piloto e as cidades satélites”, completa o presidente do CAU-DF.

 

Cidade-parque, cercada de cinza

 

Imagem aérea de Brasília mostra "tesourinhas" durante a construção da Capital Federal — Foto: Reprodução

Imagem aérea de Brasília mostra “tesourinhas” durante a construção da Capital Federal — Foto: Reprodução

“O Distrito Federal foi desenvolvido pensando muito na questão de mobilidade rodoviária. Apesar de algumas áreas terem certo planejamento, o DF não foi dimensionado para eventos extremos e mais frequentes e a gente tem uma fragilização do sistema”, afirma o especialista.

 

 

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