Eventos climáticos cada vez mais extremos paralisam grandes cidades, incluindo a capital. Especialistas discutem como crescimento do DF pode realçar episódios extremos do clima.
Ao longo dos anos, eventos climáticos – cada vez mais extremos – se tornaram capazes de paralisar grandes centros urbanos. O direito de ir e vir é um desafio urbano que mobiliza especialistas e altera as rotinas de milhares de pessoas em todo o mundo. No Distrito Federal, não é diferente.
Na primeira em uma série de três reportagens, o g1 mostra, com o auxílio de especialistas, como a construção e o crescimento da capital impactam na mobilidade urbana e são capazes de realçar episódios extremos do clima.
Brasília, símbolo modernista
Monumentalidade, concreto, formas geométricas e curvas. Brasília foi fundada na década de 1960, no meio do Planalto Central, e logo se tornou um dos mais expressivos símbolos da arquitetura moderna em todo mundo.
O modernismo surgiu, entre as décadas de 1930 e 1940, da necessidade de dar conforto às populações que viviam em cidades inchadas pela Revolução Industrial.
Segundo o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) do DF, Ricardo Meira, o plano original do arquiteto Lúcio Costa valorizava a “caminhabilidade”.
“Ele pensou na lógica em que as pessoas, a uma distância máxima de 500 m da sua casa, tivessem tudo o que precisassem, inclusive lazer, educação, igreja, comércio.”
Longos trechos viários: as vias urbanas do DF na década de 1960 e 1970







A ideia vale para o Plano Piloto, mas não se expandiu com o crescimento populacional e o surgimento das regiões administrativas, explica a professora da Universidade de Brasília (UnB) e doutora em arquitetura Liza Andrade.
“As cidades satélites não foram completamente urbanizadas, com desenvolvimento econômico suficiente, o que cria ainda dependência do Plano Piloto. Brasília é muito espalhada. Isso tudo é difícil para a mobilidade urbana”, afirma.
A especialista destaca o conceito de monofuncionalidade, também ligada ao modernismo – ou seja, a ideia de criar setores específicos para moradia, trabalho, lazer.
A partir daí, nasce também a necessidade de que a grande maioria da população se desloque com mais frequência para cumprir as tarefas diárias. Onde se mora, quase não se trabalha e quase não se diverte.
“Brasília foi planejada para abrigar uma população estimada de 500 mil habitantes. O DF, hoje, tem mais de 3 milhões. Isso gera um imenso fluxo diário pendular entre o Plano Piloto e as cidades satélites”, completa o presidente do CAU-DF.
Cidade-parque, cercada de cinza
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Imagem aérea de Brasília mostra “tesourinhas” durante a construção da Capital Federal — Foto: Reprodução


