Em discurso, presidente citou ameaças à democracia na região e defendeu a necessidade de fortalecimento do bloco

Assunção — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um discurso em defesa do fortalecimento da autonomia do Mercosul durante a reunião de cúpula do bloco, realizada nesta terça-feira (30/6) em Assunção, Paraguai.
Sem citar nomes, o petista afirmou que “ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul”, destacando que “nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes”.
“Nossa força estará na capacidade de dialogar com todos, sem deixar de lado nossos interesses”, reforçou o chefe do Planalto, que foi recebido no Paraguai pelo presidente Santiago Peña (foto em destaque).
Durante o discurso, Lula falou sobre ameaças que rondam a democracia na região e citou os casos da tentativa de golpe de Estado no Brasil após as eleições de 2022 e a pressão sobre o governo boliviano diante uma onda de protestos e bloqueios.
O titular do Executivo pediu integração do bloco “acima de divergências ideológicas”. A fala ocorre após o crescimento de governos de direita na América do Sul, consolidado por eleições recentes. Apesar disso, ele mencionou o pleito no Peru e Colômbia como exemplos de “resiliência institucional”, em meio a esse contexto de ameaças à democracia no mundo.
“Terra arrasada”
Ao final do discurso, Lula reafirmou que concorrerá às eleições presidenciais em outubro. O chefe do Planalto citou cenário de “terra arrasada” ao assumir o mandato e destacou índices econômicos do país.
Ele pediu ao presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, que assume o comando do bloco a partir desta terça, que trabalhe no fortalecimento das instituições de apoio ao Mercosul “para que ele funcione perfeitamente bem, independentemente de qualquer presidente eleito”.


