LDO: texto que vai basear cálculos do Orçamento 2027 do DF não inclui impactos da crise do BRB

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Sessão Extraordinária realizada no Plenário da Câmara Legislativa do DF, em 30 de junho de 2026 — Foto: Sara Marques/Agência CLDF

Análise da Secretaria de Economia aponta ‘indícios objetivos de potencial risco fiscal para o GDF’, mas não cita valores. Texto foi aprovado em ‘esforço concentrado’ na Câmara.

Sessão Extraordinária realizada no Plenário da Câmara Legislativa do DF, em 30 de junho de 2026 — Foto: Sara Marques/Agência CLDF

 

A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou nesta semana a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, que dispõe sobre as diretrizes orçamentárias do DF para o próximo ano.

O projeto de lei cita o Banco de Brasília (BRB) no Anexo de Riscos Fiscais – ou seja, na análise de riscos capazes de afetar as contas públicas e na listagem de providências caso os riscos se concretizem. Mas não indica qualquer valor para esse impacto.

Segundo a análise feita pela Secretaria de Economia, “há indícios objetivos de potencial risco fiscal para o GDF, considerando as atuais condições econômico financeiras do BRB”. No entanto, não há estimativas financeiras no texto.

“É importante frisar que até a presente data não há sequer a publicação das demonstrações financeiras do BRB referente a 31/12/2025, sendo desconhecida, portanto, a atual situação financeira daquela instituição”, aponta o documento.

 

🔎 Em entrevista exclusiva à TV Globo, no fim de maio, o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou que a instituição pretendia divulgar os balanços financeiros de 2025 até 30 de junho, o que não ocorreu.

 

Pedido de empréstimo

O documento aponta ainda que o socorro ao BRB deve ocorrer ainda este ano, mas não exclui a possibilidade de novos impactos nos anos seguintes. O DF negocia um prazo de 15 anos para quitar as parcelas do empréstimo bilionário para salvar o BRB.

“A necessidade é de que o aporte precise ocorrer com brevidade, o que tende a concentrar o impacto orçamentário inicial no exercício de 2026, sem prejuízo de eventuais repercussões em exercícios subsequentes.”

 

Sobre o empréstimo estimado em até R$ 6,6 bilhões para salvar o BRB, o documento aponta que o GDF deve “incorporar ao seu orçamento as parcelas relativas aos juros e amortizações na forma contratada” caso seja o proponente do empréstimo.

“Nesse caso não há informações sobre os valores relativos a essas parcelas nem quanto à sua periodicidade”, destaca.

 

Se o proponente for o BRB, o GDF deve ser o garantidor da operação.

Nem o governo, nem o BRB, nem o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) definiram, até a última atualização desta reportagem, como o empréstimo será operacionalizado.

Orçamento

O texto aprovado para a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2027 traz a previsão de receita total de R$ 74,97 bilhões. Desse total, R$ 45,45 bilhões correspondem à arrecadação própria e R$ 29,52 bilhões ao Fundo Constitucional do DF.

Segundo o projeto, os recursos do fundo serão destinados à:

  • segurança pública: R$ 15,46 bilhões;
  • saúde: R$ 8,52 bilhões;
  • educação: R$ 5,53 bilhões.

 

Emendas

 

O projeto de lei recebeu 278 emendas de deputados distritais. Apenas três emendas apresentadas pelos deputados distritais foram rejeitadas.

Entre os temas apresentados nas alterações estão:

  • provimento de 6.545 cargos efetivos, criação de 436 novos cargos e 3.335 ações para reestruturação de cargos e carreiras;
  • reforço de verbas para hospitais e programas de atendimento;
  • ampliação de recursos para escolas e programas sociais;
  • previsão de recursos adicionais para custeio e pessoal de segurança pública;
  • critérios de transparência e publicidade para o GDF;
  • proteção contra cortes em áreas do governo, como programas sociais.

 

🔎 A LDO não detalha valores para cada projeto apresentado nas emendas (entenda abaixo).

Entenda

O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) é uma exigência da Lei Orgânica do Distrito Federal e estabelece as regras que orientam a elaboração do orçamento do ano seguinte.

O texto define metas fiscais, estimativas de receitas e projeções de renúncias tributárias.

A proposta também traz limites e critérios para o controle dos gastos públicos, especialmente com pessoal, custeio e investimentos, além de regras para a gestão das fontes de financiamento, uso de superávit financeiro e mecanismos de ajuste fiscal ao longo do ano.

Por ser uma peça de planejamento, o PLDO não detalha valores para obras ou programas específicos.Esse detalhamento é feito posteriormente, no Projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA), que só é encaminhado depois da aprovação da LDO.

 

 

 

 

 

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