Ministro do STF também citou a operação Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sergio Moro e criticou a prática de transformar “vazamento seletivo em método”
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a defender o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (17/9), Gilmar disse que Gonet tem “reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita”.
“Isso nunca foi objeto de disputa: é reconhecido em todos os espectros, por quem concorda e por quem discorda dele. Mesmo assim, teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam. E, naquele exato momento, o estrago à reputação já estava feito. Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário”, afirmou o ministro.
Sem citar diretamente o nome do ministro André Mendonça, Gilmar disse que o relator do caso do Banco Master reconheceu “a lisura da conduta de Gonet”. Na sequência, o decaso do STF indaga: “Então por que expor? Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável”.

“E não foi só isso. A intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular. Apoio a quê, exatamente? A um ato que ele mesmo admitiu não ter fundamento contra a pessoa exposta? Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral”, acrescentou Gilmar.
O ministro do STF também citou a operação Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sergio Moro e criticou a prática de transformar “vazamento seletivo em método”. “A ideia era sempre criar o fato consumado antes da ação penal, colher os dividendos políticos e deixar a defesa correndo atrás de um julgamento que a opinião pública já havia feito. Linchamento coletivo serve para esvaziar o direito de defesa e enterrar a presunção de inocência”, pontuou.
Ainda nesse sentido, Gilmar comparou a época da Lava Jato com a condução do inquérito do caso do Master. “E, como na Lava Jato, a hora nunca é ao acaso. Lá, sigilos caíam a poucas semanas das eleições. Aqui, o levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método. No fundo, o alvo é o direito de defesa de pessoas contra as quais esses agentes nutrem algo que se parece muito mais com vingança do que com justiça”, disse.
Por fim, Gilmar prestou solidariedade a Gonet. “O Brasil e as instituições são devedores da coragem, da seriedade e da correção de homens como ele”, finalizou.
No julgamento de 15 de setembro, Gonet afirmou que não há nenhuma ilegalidade relacionada ao trabalho dele. Em seguida, o ministro André Mendonça fez uma intervenção e sugeriu que a atuação de Gonet precisa ser avaliada. O ministro Gilmar Mendes rebateu e iniciou uma série de declarações acaloradas no Plenário.

