
Organizada pelo Arquivo Público, Utopias em Construção celebra grandes artistas da capital desde a construção até a atualidade; obra fica em cartaz até outubro
A partir dos primeiros passos para a construção, o espectador é convidado a um passeio pelos nomes mais conhecidos da arquitetura da capital: Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e Athos Bulcão.
Mas a exposição não se restringe a esses nomes.
Aparecem também artistas icônicos como:
- Marianne Peretti, criadora dos vitrais da Catedral;
- Alfredo Ceschiatti, escultor da estátua A Justiça e dos anjos da Catedral;
- Di Cavalcanti, pintor de As Mulatas, quadro em destaque no Congresso Nacional.
“Brasília é uma capital que trouxe uma modernidade arquitetônica, trouxe uma modernidade urbanística, trouxe para cá artistas plásticos renomados”, comenta Elias.
A exposição traz ainda elementos contemporâneos como os cartazes com frases que enfeitam as famosas tesourinhas e usa inteligência artificial para ilustrar histórias nunca contadas sobre a construção da capital.
As imagens feitas por IA brincam com Lúcio Costa encontrando ossos de dinossauros, mostram mulheres na construção, romances entre pessoas do mesmo gênero e outras histórias narradas por pessoas que viveram nessa época.
“Isso aqui mostra que Brasília começa a criar uma mitologia própria. Esse painel tenta lembrar que, ao lado da documentação histórica que nós temos aqui, também se criou uma narrativa toda pessoal, baseada no sofrimento, na alegria, na tristeza, na dinâmica dos trabalhadores”, afirma.
Para o estudante de Relações Internacionais Josué Soares, Brasília se revelou um universo além do retrato de capital política. Ele veio para o DF visitar o Itamaraty, mas acabou aproveitando para conhecer mais as belezas do local.
“Antigamente eu via Brasília só como uma coisa muito formalizada, política, um negócio ali bem da lei, escrito, bem formal. Hoje em dia, eu vejo que tem uma poética por trás de tudo isso também”, afirma.
O outro lado dos gênios
Niemeyer era referência nas construções arquitetônicas, mas já usou da pintura como manifestação política. Athos, muito religioso, usava o talento para a confecção de vestes litúrgicas.
Já o urbanista Lúcio Costa gostava de fazer storyboards para filmes e sonhava em trabalhar com Charlie Chaplin. Ele até chegou a enviar o projeto para o ator, mas recebeu uma negativa.
“A gente quis mostrar outras faces dessa genialidade de todos eles”, conta o superintendente do Arquivo, Adalberto Scigliano.
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Exposição buscou trazer ainda projetos que não foram executados, como esboços do Plano Piloto e um memorial em homenagem a Tiradentes. — Foto: Gabriella Braz/g1
Ele conta que a exposição buscou trazer ainda projetos que não foram executados, como esboços do Plano Piloto e um memorial em homenagem a Tiradentes.
“A gente tem alguns desenhos que o estagiário do Niemeyer trouxe que mostram a catedral no meio da Praça dos Três Poderes. Isso depois foi tirado porque é o Estado laico”, explica.
Revisitar Brasília
Para Marília Panitz, uma das curadoras da exposição, o principal objetivo é estabelecer um diálogo entre arte, cultura, arquitetura e história.
Ela explica que a exposição brinca com as diferenças entre a Brasília idealizada e o que se tornou a capital.
A curadora cita a visita de Lúcio Costa a Brasília em 1987, que originou o documento “Brasília Revisitada”. Na época, o urbanista se impressionou com o que se tornou a Rodoviária do Plano Piloto.
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Utopias em Construção, organizada pelo Arquivo Público do Distrito Federal (APDF), fica em cartaz até 4 de outubro. — Foto: Gabriella Braz/g1
“Ele vai à rodoviária e diz mais ou menos assim: ‘Nossa, como eu estava errado. Eu que pensava que seria uma rodoviária completamente cosmopolita, com gente do mundo todo. Gente, aqui é o Brasil profundo, é o caldo de cana com pastel’”, conta.
“Então, esse jogo entre essa documentação tão incrível e as obras de arte é para dizer que essa é a Brasília que foi concebida com muitas diferenças, mas que, depois, os seus próprios autores reconhecem que Brasília é uma cidade viva e que vai mudar”, declara.
Um dos destaque da exposição é um artista que marcou gerações e que nos deixou em 2024.
O cineasta Vladimir Carvalho é homenageado com um espaço de cinema que exibe três obras marcantes: “Conterrâneos velhos de guerra” (1992), “Barra 68 – Sem perder a ternura” (2001) e “Brasília segundo Feldman” (1979).
Considerado o maior cineasta da capital, Vladimir dá nome à sala do Cine Brasília.
