A moeda operou boa parte do dia em queda, tendo marcado R$ 5,055 na mínima e R$ 5,115 na máxima da sessão

FOLHAPRESS
O dólar caiu 0,8% nesta sexta-feira (12) e encerrou a semana cotado a R$ 5,058, em meio à expectativa de que um acordo seja finalmente assinado por Estados Unidos e Irã.
A moeda operou boa parte do dia em queda, tendo marcado R$ 5,055 na mínima e R$ 5,115 na máxima da sessão. Investidores também digeriram novos dados de inflação medidos pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), divulgados mais cedo pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Na Bolsa, o dia foi de volatilidade. O Ibovespa fechou em queda de 0,21%, a 171.132 pontos, tendo marcado 172.544 pontos no pico do pregão e 169.992 na mínima.
O mercado seguiu embalado pelo otimismo de que um cessar-fogo definitivo na guerra do Oriente Médio pode finalmente estar no horizonte.
Em declarações na rede social Truth Social, o presidente Donald Trump cancelou ataques programados contra Teerã na quinta-feira à noite citando que “as discussões com o Irã foram levadas ao mais alto nível da liderança iraniana e aprovadas”.
“As discussões e os pontos finais foram, tanto em conceito quanto em detalhes, aprovados por todas as partes envolvidas, incluindo os Estados Unidos, Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Turquia, Paquistão, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Egito e outros”, escreveu ele.
Ele ainda afirmou que o documento supostamente aprovado por ambas as partes é um “ótimo acordo”, pois definia que o país persa “jamais terá uma arma nuclear”.
Os detalhes do acordo ainda não foram divulgados. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmouque um “Memorando de Entendimento de Islamabad” para finalizar a guerra “nunca esteve tão próximo”, mas pediu à mídia que se abstivesse de especular sobre seu conteúdo até que fosse finalizado.
Araqchi disse que o Irã compartilhará todos os detalhes com o público no momento oportuno, no que ele chamou de abordagem responsável e transparente de Teerã.
A interrupção do programa nuclear iraniano sempre foi um dos principais impasses entre os dois países, e o regime persa vinha demonstrando resistência em relação ao tema. A falta de um entendimento sobre o assunto também eleva dúvidas sobre a eficácia do suposto atual acordo.
A possibilidade de um cessar-fogo definitivo -ainda que envolta em camadas de desconfiança por parte dos investidores, já que o vaivém de informações conflitantes se tornou habitual- fez com que ativos de risco de valorizassem globalmente na véspera. O movimento continuou nesta sexta, com Wall Street também embalada pela estreia da SpaceX na NYSE, a Bolsa de Nova York.
Após o maior IPO (oferta pública inicial de ações) da história, as ações da companhia espacial de Elon Musk disparavam mais de 20%. O início das negociações serve de teste para aferir a temperatura dos mercados sobre novas empresas listadas, em um momento em que gigantes de inteligência artificial, como OpenAI e Anthropic, se preparam para abrir capital.
No Brasil, dados do IPCA são destaque. O indicador apontou que a inflação oficial do país desacelerou a 0,58% no mês passado, após marcar 0,67% em abril. Apesar da trégua, a taxa é a maior para maio em cinco anos, desde 2021 (0,83%). Houve pressão da carestia de parte dos alimentos e da energia elétrica.
A variação de 0,58% também ficou acima da mediana das previsões do mercado financeiro, que era de 0,53%, conforme a agência Bloomberg.
Com os novos dados, o IPCA acelerou a 4,72% no acumulado de 12 meses até maio, depois de marcar 4,39% até abril, apontou o IBGE. Assim, o índice ultrapassou o teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central). Isso não ocorria desde outubro do ano passado.
O resultado veio dentro do esperado para o contexto atual, segundo André Valério, economista sênior do Inter. “Com o preço do petróleo abaixo dos US$ 100 e flertando com os US$90, a principal fonte de pressão para a inflação passa a ser a inflação de alimentos, especialmente com a perspectiva de um acordo entre Irã e EUA que garanta a reabertura do estreito de Hormuz”, afirma ele.
A expectativa é que a inflação de alimentos continue pressionada, tendo em vista que o El Niño, fenômeno climático com potencial para provocar desastres geo-hidrológicos, já teve seu início oficialmente declarado pelos institutos metereológicos do Japão e dos EUA.
Para a reunião de junho do Copom (Comitê de Política Monetária), a projeção segue de corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, hoje em 14,5% ao ano.
“Para além dessa reunião o cenário fica mais difícil de prever e nossa expectativa é que o Copom decida reunião por reunião. Ainda vemos espaço para o Copom cortar 0,25 ponto por reunião até o fim do ano, levando a Selic a 13,25%, mas com um risco cada vez maior de uma pausa prematura.”


