Disputa pelo Palácio do Buriti teve deepfake, denúncias à Polícia Federal, questionamentos sobre material eleitoral e embates na Justiça

O Distrito Federal elege neste domingo (25/10) quem comandará a capital do país pelos próximos quatro anos. A disputa no segundo turno é entre a atual governadora, Celina Leão (PP), que tenta a reeleição, e o ex-deputado distrital Leandro Grass (PT).
A campanha do segundo turno foi marcada por trocas de acusações entre os candidatos, disputas judiciais e episódios que ultrapassaram o debate sobre propostas para o DF.
Veja as principais polêmicas que marcaram a reta final da disputa.
Vídeo manipulado por IA
Em 14 de outubro, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) determinou que um integrante da campanha de Celina Leão se abstivesse de encaminhar um vídeo com conteúdo manipulado por inteligência artificial que atribuía declarações a Leandro Grass.
Segundo a representação apresentada pela coligação do petista, o material circulou em um grupo de WhatsApp e utilizava uma voz artificialmente manipulada para atribuir ao candidato declarações sobre o chamado “kit gay”, escolas cívico-militares e a construção do Museu da Bíblia, entre outros assuntos.
Na decisão liminar, o juiz auxiliar Carlos Alberto Martins Filho afirmou que o vídeo fazia parecer que Grass havia pronunciado palavras que, conforme os elementos apresentados no processo, não foram ditas por ele. A determinação previa multa de R$ 5 mil em caso de descumprimento.
Grass afirmou que teve a voz falsificada e classificou a circulação do material como uma tentativa de desinformar os eleitores.
Panfleto com número errado de Celina
Outro episódio envolveu um panfleto distribuído em uma ação de campanha de Leandro Grass em uma universidade na Asa Norte (DF).
O material apresentava, em colunas, os nomes “Lula e Leandro”, acompanhados do número 13, e “Flávio e Celina”, acompanhados do número 22. O número eleitoral de Celina, porém, é 11.
Diante da distribuição do material, a campanha da governadora acionou o TRE-DF. A representação questionou a associação do nome da candidata ao número de Flávio Bolsonaro (PL), que disputa a Presidência da República contra Lula (PT).
O episódio ocorreu na última semana antes da votação e acrescentou mais um embate judicial à disputa pelo governo local.
Grass denuncia Celina à Polícia Federal
Em 21 de outubro, Leandro Grass apresentou uma notícia-crime eleitoral à Polícia Federal (PF) contra Celina Leão. O petista pediu a abertura de investigação para apurar uma possível prática de injúria eleitoral.
A denúncia teve como base declarações feitas pela governadora em uma entrevista no dia anterior. Segundo Grass, Celina teria insinuado que ele poderia praticar violência contra mulheres.
O candidato argumentou que a fala ultrapassou os limites da crítica política ao associar seu nome à violência contra mulheres sem apresentar fatos que sustentassem a insinuação. A defesa pediu a instauração de inquérito e informou que também avaliava medidas na esfera cível.
Antes de procurar a PF, Grass havia registrado um boletim de ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). O registro foi cancelado pela corporação sob a justificativa de que, por envolver fatos relacionados ao processo eleitoral, o caso deveria ser tratado pela Polícia Federal ou pela Justiça Eleitoral.
Celina recebe direito de resposta
Na quinta-feira (22/10), o TRE-DF concedeu direito de resposta a Celina Leão contra uma propaganda eleitoral de Leandro Grass. A decisão determinou a concessão de um minuto no horário eleitoral gratuito de rádio e um minuto na televisão, nos espaços destinados à coligação do petista.
O material afirmava que Celina e o vice da chapa, Gustavo Rocha (Republicanos), haviam recebido pessoalmente dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro e das empresas Marechal e Sustentare.
Ao analisar o caso, o juiz auxiliar Carlos Alberto Martins Filho considerou que os documentos apresentados não demonstravam que os dois candidatos tivessem recebido pessoalmente os valores mencionados na propaganda. Por isso, classificou a afirmação como factualmente inverídica.
A decisão não proibiu críticas políticas nem questionamentos sobre relações econômicas, profissionais ou familiares dos candidatos. O entendimento foi de que a propaganda atribuiu diretamente aos dois o recebimento pessoal de recursos sem comprovação documental.
Celina decide não participar de novos debates
A participação dos candidatos em debates também se transformou em motivo de confronto. Celina anunciou que não participaria de novos encontros com Grass após o debate promovido pelo Metrópoles.
A governadora afirmou que havia sido interrompida pelo adversário durante o encontro e o acusou de transformar os debates em momentos de gritaria e ataques pessoais. Ela chegou a dizer que, diante da possibilidade de novos confrontos, teria de registrar uma ocorrência policial contra o petista.
Grass, por sua vez, criticou a decisão da adversária de não participar de novos debates. A ausência de Celina no encontro da TV Globo também foi explorada pelo candidato do PT durante a reta final da campanha.



