Deputada de SP denuncia violência de gênero e transfobia durante sessões na Alesp 

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Mônica Seixas registrou boletim de ocorrência por violência política de gênero e transfobia contra três deputados envolvidos em discussões.

Deputada denuncia violência de gênero e transfobia durante sessão em SP 


A deputada Mônica Seixas (Psol) denunciou três deputados por violência de gênero, transfobia e racismo em discussões na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) nesta semana. 

A parlamentar registrou um boletim de ocorrência e entrou com um pedido no Conselho de Ética da Alesp por quebra de decoro parlamentar, pedindo a perda de mandato dos envolvidos nas agressões verbais. 

O bate-boca começou na terça-feira (24), quando 73 deputados participavam da votação sobre a cassação de Arthur do Val, por falas machistas contra refugiadas ucranianas. O deputado Douglas Garcia (PTB), subiu à tribuna e falou sobre a parlamentar Érica Malunguinho (Psol), uma mulher trans. 

“Quando houve por exemplo a votação do relatório final da cassação do Arthur do Val no Conselho de Ética, de forma absolutamente infeliz a deputada Malunguinho tomou o microfone querendo comparar o meu comportamento com o comportamento de Arthur do Val, disse que sou violento, agressivo. Não sou violento, não sou agressivo, quem é violenta com as mulheres é a deputada Érica Malunguinho, pelo simples fato de se achar mulher”, disse Douglas Garcia. 

Mônica interveio e pegou o microfone: “transfobia é crime e está ocorrendo aqui agora”. 

Após isso, outro deputado, Gilmaci Santos (Republicanos), a interrompeu, a chamou de louca, e, segundo ela, a agrediu e colocou o dedo em seu nariz

A confusão continuou no dia seguinte, com a votação da perda de mandato do deputado Frederico D’Ávila, que xingou o papa e bispo na Alesp. A votação foi adiada mas, antes disso, Mônica utilizou o tempo de discurso pra falar sobre saúde pública. 

O presidente da assembleia interrompeu a deputada e disse que ela estava falando de outro assunto. 

O deputado Wellington Moura (Republicanos) pegou então o microfone e disse para Mônica: “vou colocar um cabresto na sua boca”. Ela retrucou “você não vai calar minha boca”, e ele respondeu “vou sim”. 

A deputada disse que a fala foi racista porque cabresto é um instrumento usado em animais, e foi usado contra uma mulher negra. 

Procurado sobre a denúncia de transfobia, Douglas Garcia disse que não houve transfobia na fala dele e que os que estão falando sobre ele é calúnia. Sobre a denúncia de violência de gênero, Gilmaci Santos disse que realmente chamou a deputada de “louca” em um momento acalorado, mas afirmou que não agrediu a deputada e que vai acionar a justiça por injúria. E o terceiro envolvido, Wellington Moura, não respondeu aos questionamentos da reportagem. 

A deputada Mônica Seixas disse que episódios de machismo e violência têm sido comuns nos parlamentos brasileiros. “E se a gente não dar os nomes que têm nem sempre a gente consegue encaminhar para uma solução. Noto que a gente vem enfrentando vários eventos, inclusive o que aconteceu comigo na Assembleia Legislativa de São Paulo é grave justamente porque não é um caso isolado e isso precisa ser nomeado até porque outros atores têm que ser envolvidos. Acho que é tarefa do Ministério Público Eleitoral intervir para a proteção de nós mulheres parlamentares”.

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