domingo, 31/05/26

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Colômbia vai às urnas após campanha marcada pela violência e embate entre esquerda e direita

Eleição definirá sucessor do presidente Gustavo Petro, que não pode concorrer à reeleição. Combate ao crime organizado se tornou a maior preocupação entre os eleitores.

Cepeda, Valencia e De la Espriella brigam por duas vagas no segundo turno, em 21 de junhoFoto: Fernando Vergara/AP Photo/picture alliance/Sebastian Barros/NurPhoto/picture alliance/Luis Acosta/AFP

 

A Colômbia vai às urnas neste domingo (31) para escolher o sucessor do presidente Gustavo Petro em uma eleição marcada pela violência e pela polarização política. Ao todo, 11 candidatos disputam o primeiro turno.

Contexto: Petro está no poder desde 2022, e a Constituição colombiana não permite a reeleição presidencial. O partido dele, o Pacto Histórico, aparece entre os favoritos por causa de avanços sociais promovidos pelo governo, mas enfrenta desgaste por dificuldades no combate ao crime organizado.

  • O avanço de conflitos armados e os casos de assassinatos, inclusive de políticos, aumentaram a sensação de insegurança no país.
  • Durante a pré-campanha de 2025, um dos principais nomes cotados para a disputa presidencial morreu após sofrer um atentado.
  • Atualmente, a Colômbia também vive uma escalada de tensões com o Equador, que conduz operações militares para combater o crime organizado na fronteira entre os dois países.

 

Três candidatos aparecem como favoritos para a disputa presidencial: o esquerdista Iván Cepeda, apoiado por Petro; o ultradireitista Abelardo de la Espriella; e a senadora conservadora Paloma Valencia.

Pesquisas indicam que nenhum deles deve ultrapassar os 50% dos votos necessários para vencer no primeiro turno. Com isso, há grande probabilidade de um segundo turno no dia 21 de junho.

Cepeda, que lidera as pesquisas, promete dar continuidade às políticas sociais do governo Petro. A gestão de esquerda recebeu a economia fragilizada pela pandemia, mas conseguiu aumentar o salário mínimo nominal em 75% e reduzir o desemprego.

As medidas, no entanto, ampliaram o déficit fiscal e levantaram preocupações sobre a capacidade do governo de financiar programas sociais. O Congresso chegou a barrar algumas propostas de Petro.

Mesmo assim, a economia não aparece entre as maiores preocupações dos eleitores.

Pesquisa do instituto Invamer divulgada neste mês mostra que 40% da população aponta a segurança pública como principal problema do país. Desemprego e economia aparecem apenas em quarto lugar, com 11%.

É nesse cenário que De la Espriella e Paloma Valencia ganharam força na disputa.

Eleições na Colômbia — Foto: Alberto Correa/Arte g1

Eleições na Colômbia — Foto: Alberto Correa/Arte g1

Criminalidade

O combate ao crime dominou a campanha presidencial.

Cepeda afirma ter experiência para lidar com o tema por ter participado das negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), acordo assinado em 2016.

  • As Farc são uma guerrilha considerada terrorista pelos EUA e surgiram na década de 1960.
  • O conflito travado pelo grupo contra paramilitares e forças estatais ao longo de cinco décadas deixou mais de 250 mil mortos e provocou o deslocamento de milhões de pessoas.

 

O acordo mediado com a ajuda de Cepeda em 2016 levou as Farc a aceitarem o desarmamento. Mesmo assim, grupos dissidentes continuam ativos e são apontados como responsáveis por parte da violência no país.

  • Na quinta-feira (28), por exemplo, um confronto entre duas facções dissidentes das Farc deixou 52 rebeldes mortosna Amazônia colombiana.
  • Os grupos criminosos disputam controle territorial em áreas do país, além de lucros ligados ao narcotráfico e à mineração ilegal.

 

Cepeda quer voltar a apostar no diálogo para enfrentar o problema, mas opositores afirmam que isso não será suficiente. Políticos de direita dizem que a política de “paz total” fracassou e que organizações armadas aproveitam as negociações para se fortalecer.

O candidato ultradireitista De la Espriella, admirador das políticas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, promete combater a criminalidade com uma ofensiva militar. Ele também defende a construção de 10 megaprisões.

“No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, afirmou.

 

A candidata conservadora Paloma Valencia também defende uma atuação mais dura contra grupos armados. Ela promete ações imediatas das Forças Armadas e da polícia para obter “resultados concretos” no combate à violência.

Preocupações

Além das divergências sobre segurança pública, a campanha também levantou preocupações sobre o impacto das propostas dos favoritos sobre as instituições democráticas do país.

Em entrevista à RFI, o economista e analista político Jorge Restrepo, da Universidade Javeriana de Bogotá, afirmou que candidatos tanto da esquerda quanto da ultradireita têm adotado discursos que, segundo ele, podem representar riscos ao sistema democrático colombiano.

Restrepo cita como exemplo declarações do ultradireitista Abelardo de la Espriella, que questiona garantias judiciais, direitos humanos e a livre iniciativa ao defender uma política de repressão mais agressiva contra o crime.

“O discurso de linha dura pode esconder traços de autoritarismo”, afirmou.

 

O analista também demonstrou preocupação com propostas de Cepeda. O candidato de esquerda defende a convocação de uma Assembleia Constituinte para alterar a Constituição caso o Congresso rejeite reformas sociais apresentadas por seu governo.

“Ou seja, se um dos poderes não aceitar essas reformas, ele quer se impor com uma nova Constituição”, disse.

 

Independentemente de quem vencer a eleição, o próximo presidente pode enfrentar dificuldades para governar. As eleições legislativas de março mostraram que o Congresso continuará fragmentado, como ocorreu durante o governo Petro.

O Pacto Histórico, partido de Petro e Cepeda, voltou a ser a maior força política, mas ficou longe de conquistar maioria própria. O Centro Democrático, legenda de Paloma Valencia, ampliou a representação, enquanto partidos tradicionais e de centro mantiveram espaço relevante.

O resultado indica que o próximo presidente dependerá de negociações constantes para aprovar projetos e reformas.

Fonte: g1

 

 

 

 

 

 

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