Céu púmbleo — uma lembrança

0
Miguel Lucena

Miguel Lucena

Ao ver hoje o céu de Brasília coberto de poeira vermelha e fumaça, castigado pela seca de agosto, lembrei-me de uma história dos tempos de redação.
Nos anos 80, Chico César ainda era repórter e redator, muito antes de ganhar o Brasil como cantor e compositor. Certa vez, querendo talvez dar um lustro literário à matéria, escreveu que o céu de João Pessoa estava “púmbleo”.

Frutuoso Chaves, nosso editor, mestre e professor, leu aquilo, franziu a testa e considerou uma tremenda esnobação usar palavra tão difícil para dizer que o céu estava escuro, carregado, sombrio.
Décadas depois, diante deste céu brasiliense quase sem cor, a palavra esquecida me voltou inteira à memória. E pensei: Chico talvez exagerasse na forma, mas “púmbleo” continua sendo uma danada de uma palavra bonita.

Comentar

Please enter your comment!
Please enter your name here