Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial

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Foto: Reprodução/Facebook

Companhia diz que continuará operando normalmente durante o processo e atribui a medida ao cenário econômico adverso e à dificuldade para captar recursos. Pedido inclui outras subsidiárias do grupo.

O Grupo Casas Bahia anunciou na noite deste domingo (16) que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo.

A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças e garantir a continuidade das operações.

De acordo com o jornal Valor Econômico, que teve acesso à petição, a companhia busca renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas.

  • 🔍A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas.

Segundo a companhia, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador.

O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais.

Esta não é a primeira vez que a Casas Bahia busca reorganizar sua situação financeira. Em 2024, a companhia realizou uma recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras.

Na época, a empresa apostava que a renegociação das dívidas, aliada à redução dos custos financeiros e à retomada do consumo, seria suficiente para estabilizar suas contas.

No entanto, segundo a própria companhia, o cenário econômico continuou se deteriorando.

Em comunicado ao mercado neste domingo, a Casas Bahia afirmou que enfrentou um ambiente marcado por juros elevados, restrição ao crédito, aumento dos custos financeiros e queda no consumo, fatores que reduziram sua capacidade de gerar caixa.

A empresa também informou que não conseguiu concluir operações de captação de recursos consideradas importantes para reforçar seu caixa.

“Nesse cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da companhia, buscando preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações”, afirmou a empresa.

 

Apesar do pedido de recuperação judicial, a companhia informou que pretende manter o funcionamento das lojas físicas, do comércio eletrônico e dos demais canais de venda, sem interrupções relevantes para os consumidores.

Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, ele ainda precisará ser ratificado pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária.

Além da Casas Bahia, o pedido de recuperação judicial inclui outras empresas do grupo:

  • ASAP Log – Logística e Soluções Ltda.
  • ASAP Log Ltda.
  • CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda.
  • Cntlog Express Logística e Transporte Ltda.
  • Globex Administração e Serviços Ltda.
  • Cnova Comércio Eletrônico S.A.
  • Integra Soluções para Varejo Digital Ltda.
  • Casas Bahia Tecnologia Ltda.
  • Indústria de Móveis Bartira Ltda.

Prejuízo bilionário antecedeu pedido

O pedido de recuperação judicial foi anunciado um dia após a divulgação do balanço financeiro do segundo trimestre de 2026.

A companhia registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho deste ano. Segundo a empresa, R$ 9,1 bilhões desse total correspondem a ajustes contábeis extraordinários e despesas ligadas ao plano de reestruturação, sem impacto imediato no caixa.

  • 🔎 Entre os fatores que aumentaram o prejuízo estão ajustes contábeis, como a redução do valor de créditos tributários que a empresa esperava usar no futuro, a reserva de dinheiro para cobrir possíveis disputas e obrigações contratuais, a reavaliação do valor de alguns ativos (como lojas e outros bens) e despesas relacionadas ao processo de reestruturação da companhia.

 

Apesar do prejuízo, alguns indicadores operacionais apresentaram melhora. A receita líquida cresceu 1,6%, chegando a R$ 6,98 bilhões, enquanto as vendas realizadas diretamente pela internet avançaram 15,3%, alcançando R$ 2,8 bilhões.

A empresa também informou que conseguiu aumentar a geração de caixa, reduzir sua dívida líquida e alongar o prazo de vencimento da maior parte dos financiamentos, diminuindo a pressão financeira no curto prazo.

Plano de transformação

Segundo a companhia, o pedido de recuperação judicial faz parte da segunda fase do Plano de Transformação, iniciado em 2023 para tornar a operação mais eficiente e financeiramente sustentável.

Fonte: g1

 

 

 

 

 

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