domingo, 28/06/26
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A um mês das convenções, presidenciáveis negociam vice pensando em reduzir resistências do eleitorado e em tempo de TV

Lula definiu em março manter Alckmin na chapa; Flávio busca mulher, Zema tenta acordo com o Podemos; Caiado e Renan Santos seguem sem nome.

Reprodução/g1

 

A menos de um mês do início dasconvenções partidárias — momento em que os partidos precisam bater o martelo sobre quem será lançado nas eleições —, as equipes de pré-campanha dos presidenciáveis articulam nomes para os vice-candidatos na chapa.

Dois atributos principais são levados em consideração, de acordo com os interlocutores das pré-campanhas.

Primeiro, nomes que possam reduzir resistências em parte do eleitorado. Em 2022, por exemplo, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um gesto ao Centro ao convidar Geraldo Alckmin (PSB), seu então adversário histórico, para ser seu vice.

Agora, o senador Flávio Bolsonaro (PL) tenta ganhar força entre o eleitorado feminino e busca uma mulher para compor sua chapa eleitoral.

“O bom vice agrega. Ele pode não necessariamente agregar voto porque o cabeça de chapa é o cabeça de chapa, dificilmente o vice agrega tanta votação assim. Mas o vice é uma sinalização que o partido faz para uma parcela do eleitorado, para a opinião pública e para outros partidos”, explica o cientista político Carlos Ranulfo, cientista político da Universidade Federal de Minas Gerais.

Por essa sinalização, alguns pré-candidatos buscam um vice que possa “furar a bolha” do seu eleitorado e querem evitar uma chapa “puro sangue”, ou seja, formada por dois integrantes da mesma sigla.

“Tem situações em que o vice não faz diferença nenhuma”, diz Ranulfo. “A chapa puro sangue você mostra que é só o seu perfil, não precisa sinalizar para ninguém.”

 

Outro ponto relevante, segundo articuladores das equipes, é a coligação partidária. Ou seja, conquistar um candidato à vice que venha acompanhado de outro partido. Na prática, isso oferece à chapa maior tempo de rádio e TV — trunfo fundamental durante uma campanha presidencial.

A coligação também deve ser definida no período das convenções partidárias, que começam no dia 20 de julho e vão até o dia 5 de agosto.

Lula e Alckmin em cerimônia — Foto: Ricardo Stuckert/PR

Lula e Alckmin em cerimônia — Foto: Ricardo Stuckert/PR

Lula (PT)

No fim de março, o presidente Lula confirmou que repetiria a formação da sua chapa em 2022, ou seja, com Geraldo Alckmin na vice-presidência.

Aliados de Alckmin no PSB passaram meses defendendo a continuidade do seu nome e destacam três qualidades que, segundo eles, o tornam “vice-perfeito”:

  • discrição, já que não tenta chamar mais atenção do que Lula;
  • fidelidade, característica fundamental diante do trauma do PT com o impeachment de Dilma Rousseff; e
  • competência diante das articulações contra o tarifaço de Donald Trump, já que Alckmin era também ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

A decisão de continuidade, contudo, não foi simples. No início do ano, parte do entorno do presidente Lula defendia a chapa com um vice do MDB, sob o argumento de que “furaria a bolha” da centro-esquerda e poderia agregar mais votos, além de ser um partido maior do que o PSB de Alckmin.

A ideia chegou a ser defendida por nomes como Renan Filho e Renan Calheiros, ambos do MDB, mas sofreu resistências dentro do próprio partido, que guarda identificação com a direita em alguns locais, por exemplo em São Paulo com o prefeito Ricardo Nunes (MDB).

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) (c), faz um pronunciamento na tarde desta terça-feira, 19 de maio de 2026, na sede de seu partido em Brasí­lia (DF). — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) (c), faz um pronunciamento na tarde desta terça-feira, 19 de maio de 2026, na sede de seu partido em Brasí­lia (DF). — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

 

Flávio Bolsonaro (PL)

 

Não é de hoje que a campanha de Flávio Bolsonaro busca por uma mulher para assumir o posto de vice-presidente na chapa, em uma tentativa de angariar mais votos femininos.

Depois da divulgação do vídeo da ex-primeira dama e madrasta de Flávio, Michelle Bolsonaro, o critica, a ideia ganhou força e “se tornou uma necessidade”, segundo aliados. “Agora não resta dúvidas que é o único caminho”, diz um integrante do PL.

Articulares de Flávio defendem dois pontos como inegociáveis: que seja uma mulher e que venha de algum partido do Centrão, também na tentativa de conquistar uma coligação com mais tempo de TV e sinalizar para o centro.

Neste perfil, três nomes despontam nas conversas. A deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), que vem de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, e é católica praticante, o que poderia atrair votos entre os católicos.

A também deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE), que além de evangélica — público que Flávio também deseja conquistar — é de um estado do Nordeste, região que historicamente entrega mais votos para o PT.

E, por fim, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), chamada por aliados de Flávio como “nome impecável” e que agregaria “fôlego de experiência” para Flávio, que pode ser visto como alguém muito jovem.

 

Romeu Zema (Novo)

 

A expectativa do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema é anunciar o nome de seu vice na chapa já nos próximos dias. Em entrevista ao “Estado de S. Paulo”, Zema disse que pretende anunciar o nome na semana que vem.

Integrantes da sua campanha confirmam que algumas conversas estão avançadas e que um nome que vem sendo cortejado é o de Geraldo Rufino, filiado ao Podemos.

Segundo um interlocutor do ex-governador, Rufino poderia trazer diversidade à chapa por se tratar de um homem negro. Além disso, é elogiado por “ter um histórico de tombos e renascimentos”, já que foi catador de latinhas na juventude e hoje é empreendedor, escritor e palestrante.

Rufino é próximo de Zema e poderia trazer para a chapa a coligação com o Podemos, garantindo ao Zema tempo de TV — algo que hoje o Novo não tem, por ser um partido muito pequeno.

Conversas já foram feitas entre as cúpulas do Novo e do Podemos, mas não há martelo batido. No Podemos, há um desejo de que Rufino possa concorrer ao Senado.

Ronaldo Caiado (PSD) durante evento em Aracaju — Foto: TV Sergipe

Ronaldo Caiado (PSD) durante evento em Aracaju — Foto: TV Sergipe

Ronaldo Caiado (PSD)

 

Na equipe do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, o que se diz é que não há nenhum nome na agenda e a decisão deve demorar a ser tomada, ficando para o período das convenções partidárias.

Um integrante da equipe de Caiado avalia, ainda, que o vídeo publicado por Michelle Bolsonaro contra Flávio “congela essa decisão”.

“A política está entendendo que o vídeo de Michelle pode precificar uma queda de Flávio. Eu acho que ninguém vai se movimentar pra valer depois disso”, diz esse interlocutor de Caiado, sugerindo que o melhor é esperar para tomar qualquer decisão já que, ainda que improvável neste momento, uma eventual retirada de candidatura de Flávio poderia mudar o jogo político dos outros candidatos da direita.

 

Mais do que ter um nome que agrega na candidatura, a avaliação de aliados de Caiado é que ele precisa de tempo de TV para se tornar mais conhecido. Até o momento, porém, nenhum partido grande se articulou para se unir ao ex-governador na chapa.

O pré-candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, durante evento em Brasília — Foto: Sérgio Lima/Novo Selo

O pré-candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, durante evento em Brasília — Foto: Sérgio Lima/Novo Selo

Renan Santos (Missão)

 

Outro presidenciável que ainda não encontrou um nome para seu vice de chapa é Renan Santos. Embora seus interlocutores digam que não há prazo para a definição, existe a expectativa de que a decisão possa acontecer daqui a um mês — período de início das convenções.

Segundo sua equipe, o mais provável é que o nome venha de dentro do partido Missão, mas não descartam a possibilidade de conversar com outra sigla.

 

Por Elisa Clavery, GloboNews — Brasília

 

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