A IA está criando um novo mundo?

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Arnaldo Niskier

 

Arnaldo Niskier

da Academia Brasileira de Letras

A IA está entre nós em todos lugares, inclusive no seio familiar. Em muitos lares, as assistentes virtuais como Siri ou Alexasāo uma realidade que já impacta na construçāo da linguagem infantil. Crianças usam as assistentes virtuais no dia a dia, seja para pedir uma música, tirar uma dúvida escolar, ver um desenho num aplicativo ou na TV ou simplesmente para conversar quando nāo tem ninguém disponível. Assistentes virtuais têm um tipo de linguagem que nāo é humana, logo, nāo causam mal entendidos, nāo têm o tempo de espera para ouvir a resposta, nāo se irritam ou se distraem, como pode acontecer numa conversa com humanos. Seres humanos nāo se irritam ao fazer questionamentos ao ChatGPT ou Gemini, mas, em contrapartida, a forma de se comunicar com essas ferramentas é diferente. Ninguém conversa de forma natural com um chatboot, geralmente a linguagem é resumida a comandos como “ligue o som”, “apague as luzes”, “toque uma música”. Essas frases seriam construídas de outra forma, se fossem usadas entre humanos. Interações humanas sāo mais lentas, dependem do humor, do tempo, da interpretaçāo pessoal dos envolvidos na conversa. Interações com máquinas sāo simples, lineares e mais rápidas. Até que ponto essa forma de aprendizado da linguagem e alfabetização vai impactar no futuro da comunicação humana? Cabe aos responsáveis orientar as crianças para que nāo humanizem maquinas e saibam a diferença entre uma conversa com um chatboot e um humano.
A IA também está no centro de uma discussão pertinente sobre o abuso do seu uso no jornalismo. Qual a credibilidade de uma mídia que usa IA para fazer seus conteúdos? Um recente texto veiculado por mídias conhecidas escancarou o problema em utilizar a IA em excesso. No texto em questão, dissertavam sobre fibras. A questão é que nem a pesquisa dita na matéria, nem os “especialistas” existem, foram criados pela IA. Jornalistas e leitores perceberam e as redes sociais foram inundadas de questionamentos sobre a credibilidade do que é veiculado em mídias conhecidas. Inclusive a Fenaj (Federaçāo Nacional dos Jornalistas) pediu urgência na regulamentaçāo do uso da IA no jornalismo.
A IA é uma realidade até na gastronomia. Quem diria que a IA ia auxiliar chefs e cozinhas? Nāo é ficção científica, já existem robôs humanoides que fazem tarefas repetitivas, como lavar louça, por exemplo. Atualmente, há tecnologias que utilizam sistemas de gestāo e coleta de dados para ajuste de cardápios e diminuição de desperdícios. Está em franca expansão uma revolução tecnológica que acontece nas cozinhas sejam elas industriais ou até mesmo uma padaria de bairro. Essa nova geração de fornos é multifuncional, usando vapor e calor seco numa única câmara, podendo grelhar, assar, gratinar e fritar alimentos ao mesmo tempo e sem precisar de muitos equipamentos para ter o mesmo resultado. Isso significa, por exemplo, que o chapeironāo vai fritar 40 bifes na sua chapa ao mesmo tempo ou em determinado período, mas sim usar a IA do forno, colocando os 40 bifes numa bandeja, ajustando o tempo e tendo o mesmo resultado. Nessa vanguarda temos uma empresa italiana que está investindo no mercado brasileiro com seus equipamentos culinários inteligentes. A aposta agora é numa panela de pressão inteligente, programada para diminuir pela metade do tempo o cozimento de molhos e caldos. Isso otimiza a produção, evita desperdício e quase anula as falhas. Como podemos verificar, no dia a dia, as inovações vieram pra ficar e ainda vāo impactar muito na forma como humanos e maquinas se relacionam.

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