FOLHAPRESS
A Vale confirmou à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que vai pagar compensação financeira ao ex-conselheiro Daniel Stieler, que renunciou no início da semana em meio a pressão da Previ, o fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil.
A compensação foi questionada na autarquia por um investidor, considerando que a política de remuneração da mineradora não prevê esse tipo de benefício a membros do conselho de administração. Na quarta-feira (8), a CVM abriu processo para investigar o tema.
A Vale não informou o valor que será pago a Stieler, que ocupava a presidência do conselho de administração. Em 2025, ele recebeu R$ 3.227.961, o equivalente a cerca de R$ 268 mil por mês, segundo documento apresentado pela companhia a investidores no início do ano.
Disse apenas que os valores da compensação “foram objeto de análise por empresa internacionalmente reconhecida” e que “estão em linha com as práticas de mercado e com os objetivos pretendidos pela companhia para situações dessa natureza”.
As informações foram dadas no início da manhã desta quinta (9) em resposta a questionamento da CVM em investigação provocada por reclamação do investidor Renato Chaves, especialista em governança corporativa.
Procurada nesta quinta, ainda não respondeu a novo pedido de esclarecimentos sobre o tema.
A CVM não dá detalhes do processo. A reportagem apurou que, nele, Chaves questiona descumprimento do artigo 154 da Lei das SA, que proíbe a prática pelos administradores de atos de liberalidade às custas da companhia.
Maior acionista individual da Vale e responsável pela indicação de Stieler ao conselho, a Previ queria a vaga de volta, mas o executivo resistia. Em junho, a fundação pediu assembleia de acionistas para destituí-lo.
Stieler seguiu resistindo e, em defesa apresentada ao conselho de administração, acusou a fundação de atropelar ritos internos, enfraquecer a governança da companhia e abusar de seu poder de voto.
Procurada, a Previ ainda não se manifestou sobre o tema. Em entrevista há duas semanas, a fundação diz que quer fomentar a independência no conselho da Vale. Por isso, indicou à presidência o conselheiro Manuel Lino Oliveira, conhecido como Ollie, líder dos conselheiros independentes.

