sexta-feira, 27/02/26
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Vilões da inflação: veja o que puxou o IPCA-15 para cima em fevereiro

Despesas com transportes tiveram alta de 1,72%, e de educação, 5,2% . Prévia da inflação para fevereiro foi de 0,84%

Hugo Barreto/Metrópoles

 

Os gastos com transportes e educação puxaram o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de fevereiro para cima. O índice global teve alta de 0,84%, conforme os dados divulgados nesta sexta-feira (27/2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Só o grupo transportes, com a alta de 1,72% nos preços, foi responsável 0,35 ponto percentual (p.p.) do IPCA-15 de fevereiro. Ou seja, respondeu por mais de um terço do índice. Isso acontece porque os nove grupos que compõem a inflação têm pesos diferentes.


O IPCA-15

  • O IPCA-15 difere do IPCA, que mede a inflação oficial do país, na abrangência geográfica e no período de coleta, que começa no dia 16 do mês anterior. Por essa razão, ele funciona como uma prévia do IPCA.
  • O indicador coleta dados sobre as famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos. Ele abrange: Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Brasília e Goiânia.
  • A próxima divulgação, referente a março, será feita em 26 de março.

No grupo dos transportes, a maior alta ocorreu nas passagens aéreas, que aumentaram 11,64%. Os combustíveis também pressionaram o índice para cima, com elevação de 1,38%. Veja os percentuais por tipo de combustível:

  • etanol 2,51%;
  • gasolina 1,30%;
  • óleo diesel: 0,44%; e
  • gás veicular: 1,06%.

O subitem ônibus urbano também aumentou. A taxa foi de 7,52%. Os valores variaram por região. O maior incremento foi em Belo Horizonte (14,68%), seguido por São Paulo (13,97%) e Fortaleza (11,14%).

Despesas com educação tiveram alta de 5,2%

Em se tratando de educação, os maiores aumentos vieram do ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,07%) e pré-escola (7,49%). Apesar disto, a maior contribuição partiu dos cursos regulares (0,28 p.p.), com elevação de 6,18%, por conta dos reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo. Esse último item possui maior peso no grupo.

Confira a variação dos grupos:

  • Alimentação e bebidas: 0,20%;
  • Habitação: 0,06%;
  • Artigos de residência: 0,21%;
  • Vestuário: -0,42%;
  • Transportes: 1,72%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,67%;
  • Despesas pessoais: 0,20%;
  • Educação: 5,20%;
  • Comunicação: 0,39%.

A alta do grupo de alimentos foi puxada pelos seguintes itens:

  • tomate (10,09%); e
    carnes (0,76%).
  • Ainda no grupo de alimentação e bebidas, também houve retrações, casos do arroz (-2,47%), frango em pedaços (-1,55%) e frutas (-1,33%).

Resultado geral

O avanço de 0,84% do IPCA-15 em fevereiro implica no acumulado de 12 meses ter alta de 4,1%, abaixo dos 4,50% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em relação a fevereiro de 2025, quando o índice registrou alta de 1,23%, houve uma queda de 0,39 ponto percentual.

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 15 de janeiro a 12 de fevereiro de 2026 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 14 de janeiro a 12 de fevereiro de 2025 (base).

Futuro

Segundo o relatório Focus, as previsões indicam que o IPCA fechará o ano em 3,91%.

Em 2026, a meta inflacionária é de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual (com piso de 1,5% e teto de 4,5%). Se o acumulado em 12 meses ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, a meta é considerada descumprida.

 

 

 

 

 

 

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