segunda-feira, 16/03/26
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Urubu, quando está de azar, o debaixo belisca o de cima

Ilustração gerada por IA

 

Miguel Lucena

Saí de casa às pressas para uma reunião e o universo parecia ter acordado com implicância pessoal contra mim. Logo cedo, percebi que a bateria do relógio tinha morrido, como se até o tempo tivesse resolvido me abandonar. Em seguida, consultei a conta bancária e vi que o saldo estava tão magro que mal dava para fazer sombra.
Como desgraça pouca é bobagem, ainda pisei numa tuia de cocô de cachorro, dessas bem caprichadas, que parecem colocadas no caminho por algum roteirista cruel da vida. Não houve outro jeito: voltei, troquei os sapatos e saí de novo, agora correndo contra o relógio parado, contra a falta de dinheiro e contra o mau humor.
Nessas horas, lembro do velho dito popular: urubu, quando está de azar, o debaixo belisca o de cima. Tem dia em que tudo dá errado com uma eficiência espantosa. Mas a gente segue, porque, no fundo, viver também é isso: tropeçar no imprevisto, limpar a sola e continuar andando, mesmo com o destino fazendo troça da nossa cara.

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