terça-feira, 24/03/26
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PR: Moro se filia ao PL de olho no governo; Dallagnol disputa Senado

Sergio Moro se filiou ao PL em evento em Brasília. Partido anunciou, ainda, que Filipe Barros e Deltan Dallagnol serão candidatos ao Senado

HUGO BARRETO / METRÓPOLES

 

O senador Sergio Moro oficializou nesta terça-feira (24/3) a saída do União Brasil e a filiação ao PL. Moro deve disputar o governo do Paraná pela sigla.

Em Brasília, o evento que sacramentou a entrada de Moro no PL reuniu parlamentares, dirigentes e lideranças do estado. Também contou com a presença do pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro e até mesmo de um sósia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vereador de Jaboticabal (SP) Dr. Célio.

Moro chegará ao PL com apoio do comando nacional para disputar o Palácio Iguaçu. Líder nas pesquisas de intenção de voto, o senador enfrentava um impasse dentro da federação partidária entre União Brasil e PP, que ameaçava a candidatura.

Apoiado pelo União Brasil, Moro era rejeitado pelo PP estadual. O racha levou o PP do Paraná a se reunir, ainda no ano passado, para decidir que não endossaria uma candidatura do ex-juiz. Nesta terça, a deputada Rosangela Moro, esposa do senador, também deixou o União e se filiou ao PL.

A chapa de Moro terá o deputado Filipe Barros (PL-PR) como um dos candidatos ao Senado. A segunda vaga será ocupada por Deltan Dallagnol (Novo), ex-deputado e ex-procurador que atuou com Sergio Moro na Operação Lava Jato.

O PL vinha assediando Moro há algumas semanas. O ex-juiz era o nome preferido do senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a campanha de Flávio, para a disputa ao governo local. A avaliação dentro do PL é de que o nome de Moro ajudará a fortalecer o palanque de Flávio Bolsonaro no estado.

Ao discursar, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro disse que conta com a “força” de Moro para fortalecer o seu palanque no Paraná. Segundo Flávio, as escolhas de Sergio Moro, Barros e Dallagnol consolidam o “melhor caminho” e o “melhor palanque” no estado.

“Tenho muita confiança no seu trabalho. Com muita alegria que abrimos as portas do PL para você ser o nosso pré-candidato ao governo do Paraná. A gente precisa do Paraná na nossa estratégia nacional”, declarou Flávio Bolsonaro.

Sergio Moro agradeceu, em seu discurso no evento desta terça, o União Brasil. Segundo ele, a decisão de deixar a sigla foi tomada para viabilizar a candidatura ao Iguaçu.

A Flávio Bolsonaro, Moro afirmou que o “Paraná não vai lhe faltar”. “Estou me somando ao seu projeto”, disse o senador.

O ex-juiz também saudou o anúncio dos pré-candidatos ao Senado: “Estão numa jornada em conjunto com a gente para mudar o Senado”.

Rompimento com Ratinho Júnior

Rodrigo Felix Leal/AENO governador Ratinho Jr, e o senador Sergio Moro
O governador Ratinho Jr e o senador Sergio Moro

A entrada de Moro na sigla comandada por Valdemar Costa Neto foi costurada ao longo dessa quarta-feira (18/3). Primeiro, o senador se reuniu com dirigentes do PL e com o pré-candidato à Presidência do partido, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Mais tarde, ele participou de encontro com caciques do União Brasil e do PP, onde selou sua saída.

A filiação de Moro e o apoio do PL à candidatura do senador oficializa um rompimento da sigla com o grupo do atual governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD).

Atual governador do Paraná, Ratinho Júnior tenta emplacar um dos nomes de seu gabinete como candidato à sucessão.

O governador, que resistiu a apelos do PL para sair da disputa ao Planalto e para uma composição com a sigla no estado, ainda não definiu quando anunciará o escolhido.

O rompimento do PL com Ratinho Júnior vinha sendo desenhado há algumas semanas. Na última quarta (11/3), o governador do Paraná chegou a discutir o palanque local com Rogério Marinho.

No encontro, Ratinho afirmou que seguiria com a sua pré-candidatura à Presidência e ouviu de Marinho que a decisão poderia levar a um embarque do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro na candidatura de Sergio Moro. Parlamentares do PL interpretaram a conversa entre Marinho e Ratinho como uma espécie de “ultimato”, que se confirmou nesta quarta (18/3).

Questionado sobre o rompimento com o grupo político do governador do Paraná, Valdemar Costa Neto afirmou que Ratinho Júnior “mora” no seu “coração”. O dirigente ponderou, contudo, que o paranaense deve ser candidato a presidente e que o PL precisa “fazer votos no Paraná”.

“Nós vamos ter que unir todo mundo lá para a gente ganhar as eleições no primeiro turno. Senão, nós estamos mortos com o Ratinho. O Ratinho mora no meu coração, mas acontece que ele vai sair candidato a presidente. E nós vamos fazer zero votos no Paraná? Moro está explodindo. Precisa ver se ele vem para o partido ou não”, disse.

 

PSD e PL mantinham o entendimento de que o partido apoiaria o nome indicado por Ratinho ao Palácio Iguaçu, enquanto o governador endossaria a candidatura de Filipe Barros ao Senado.

Reaproximação com a família Bolsonaro

A entrada de Sergio Moro no PL representa mais um movimento de reaproximação do ex-ministro da Justiça ao núcleo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Moro deixou o governo Bolsonaro fazendo acusações de interferência do então presidente na Polícia Federal.

Enquanto tentava se viabilizar como candidato a presidente, ele também chegou a dizer que o então presidente mentia e chegou a fazer menções a “rachadinhas”, esquema que colocou Flávio Bolsonaro como investigado.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou, na quarta, que a entrada de Sergio Moro pode impulsionar a candidatura do ex-juiz e levá-lo a uma vitória no primeiro turno.

“Moro está explodindo [nas pesquisas]. Talvez, com 22 [número do PL], ele aumente e ganhe no primeiro turno”, disse o dirigente.

 

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