
Miguel Lucena
Um grupo de paraibanos da cidade de Princesa já se articula para o dia em que Donald Trump resolver invadir o Brasil para se apossar das terras raras e da Amazônia. Autodenominados Patriotas de Verdade, esses herdeiros simbólicos da Guerra de Princesa, de 1930, dizem agir inspirados no idealismo de Paulo Mariano e na valentia lendária de China e Chico Bode, homens de São José de Princesa que nunca baixaram a cabeça em refrega alguma.
Há também descendentes de Ronco Grosso, braço direito do coronel Zé Pereira, todos prometendo resistência “na ponta da faca”, como nos tempos em que honra não se terceirizava.
Do outro lado, como manda a tradição, surgem os quintas-colunas de sempre, prontos para apoiar qualquer invasão. Na Guerra de Princesa, esses mesmos tipos se esconderam com caganeira e só apareceram depois que os valentes da terra depuseram as armas — não por medo, mas porque lutavam contra João Pessoa, então presidente da Paraíba.
João Pessoa acabou morto em Recife pelo advogado João Dantas, valente da Serra do Teixeira, após ter sua honra atacada quando o governo exibiu, na porta do jornal oficial A União, cartas íntimas trocadas com a professora Anaíde Beiriz.
Em Princesa, a história ensina: quem vende a terra perde o nome; quem a defende vira lenda.

