
Miguel Lucena
Quando Donald Trump resolveu dar pitaco no Vaticano, achando que o Papa era mais um adversário de campanha, esqueceu um detalhe: Papa Leão XIV não disputa eleição, disputa consciência.
Chamou o homem de fraco, de liberal, de ruim de política externa — como se o Evangelho fosse tratado de geopolítica. Leão XIV, com a calma de quem já viu império cair e santo apanhar, respondeu sem subir o tom: não tenho medo.
E não tem mesmo.
Dizem que o Papa joga tênis. Se o laranjão topetudo insistir em cruzar a rede com bravata, corre o risco de levar uma raquetada bem colocada — não na cabeça, que ali já tem muito vento, mas no ego, que anda mais inflado que balão de festa.
No fim, Trump fala grosso. O Papa fala manso. E o mundo inteiro sabe qual dos dois dá mais trabalho à consciência.

