IBGE mediu inflação de quase 30% no café, 4,03% no pão e 9,49% no pão de queijo em 2025. Consumidores dizem comprar menos; demanda internacional explica, diz especialista.

Café coado, pão francês, queijo, ovo mexido e até pão de queijo. Os alimentos, que fazem parte da mesa de café da manhã de quase todo brasileiro, ficaram bem mais caros no Distrito Federal em 2025.
Os dados são Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado do ano, eles indicam:
- Café moído: + 27,47%;
- Pão de queijo: + 9,49%;
- Ovo de galinha: + 4,48%;
- Pão francês: + 4,03%;
- Queijo: + 2,39%.
Diante disso, moradores do DF dizem que passaram a adotar diferentes estratégias para manter o consumo desses itens no café da manhã, mas sem estourar o orçamento familiar.
A professora aposentada Luzineide Evangelista, por exemplo, diz que gosta de passar um café novo todo dia e que costumava fazer ao menos duas garrafas por dia na casa dela. Com o aumento no preço, porém, passou a fazer somente uma garrafa.
“Sentimos demais [o aumento], teve uma alta exorbitante. Nós chegamos a pensar assim: ‘Vamos diminuir a quantidade, mas nunca deixar de tomar o café’. […] Ficamos eu e meu esposo em casa, aí, quando minhas filhas chegam, a gente coa a segunda garrafa. Mas, atualmente, estamos evitando fazer café porque o preço está exorbitante”, afirmou.
Amiga da Luzineide, a analista de sistemas Williane Marques diz que o café da manhã é a refeição favorita dela e que sempre tem de ter um cafezinho coado. E ela reforça que sentiu, e muito, o aumento do preço tanto no mercado como nas padarias.
“Senti muito. O aumento – para nós que tomamos café todo dia – foi muito alto, nesse valor que era praticado antes e o valor que a gente encontra hoje nos mercados. […] Como eu faço só para mim, eu agora faço a medida que tomo. Antes, fazia a garrafa cheia, pra quem chegasse à minha casa já ter café pronto. Agora, faço só a medida que vou tomar porque o preço está muito alto”, disse.
Cliente da mesma padaria em Taguatinga há cerca de 35 anos, o policial civil aposentado Eurípedes Barbosa diz que não pode faltar no café da manhã dele café coado, pão e pão de queijo – itens que registraram aumento, segundo o IBGE. Ele afirma que não reduziu o consumo, mas que sentiu o aumento no bolso.
“Senti [o aumento dos preços] principalmente no café, a gente sentiu uma alta significativa no pó de café. […] Não deixei de consumir o café, eu estou consumindo da mesma forma, faz um esforço, faz um sacrifício, mas continua comprando café”, declarou.
‘Driblar’ o aumento sem perder clientes
Dono de uma padaria no DF, o empresário Reginaldo Biângulo diz que tem sentido o aumento dos preços, principalmente nos valores cobrados pelos fornecedores.
Ele afirma que em 2025 segurou o reajuste nos preços da padaria para não perder clientes, mas que neste ano vai ter de repassar, ao menos em parte, o aumento em itens como café e pão.
“A gente até segurou um pouco, mas chegou num ponto que a gente não consegue segurar mais os preços, vamos ter que reajustar. […] Não é fácil, porque quando reajusta, os clientes assustam, mas eles entendem, vão no mercado e entendem que está tudo aumentando. Mas o máximo que a gente consegue segurar, a gente segura”, afirmou.
Preços ‘flutuam’ ao longo do ano
Conforme o economista William Baghdassarian, do Ibmec, o preço dos alimentos costuma flutuar ao longo do ano, ou seja, ele explica que os preços cobrados nas prateleiras costumam aumentar ou diminuir de acordo com o período da safra ou do cenário no mercado internacional, por exemplo.
“Chama a atenção o impacto do preço do café, que vem sofrendo elevação de preço muito em função de demanda maior internacional. A oferta não reage ao mesmo tempo que a demanda e isso fez com que o preço do café, principalmente o moído, tenha subido muito mais que os itens de alimentos”, afirmou.

