
Miguel Lucena
O caso ocorrido em Itumbiara, Goiás, em que um pai matou os próprios filhos e, em seguida, tirou a própria vida para se vingar da mulher flagrada com outro homem, escancara a face mais sombria da possessividade travestida de amor.
Não há paixão ferida que justifique a eliminação de vidas inocentes. Filicídio não é gesto de desespero romântico, mas ato extremo de controle, incapacidade de lidar com a frustração e desejo de punição.
Quando o homem transforma os filhos em instrumento de vingança, revela não amor, mas covardia. O machismo que confunde afeto com domínio precisa ser enfrentado com educação emocional, responsabilização e prevenção, para que tragédias assim não se repitam.

