
Miguel Lucena
Arroz, feijão e carne a gente apalpa, pesa na balança e põe no prato. Alimentam o corpo e custam suor. Já no mercado financeiro, bilhões evaporam e reaparecem na velocidade de um clique — números que sobem e descem sem cheiro, sem gosto, sem substância.
Recentemente, a liquidação de bancos como o Banco Master e, agora, o liquidação do Banco Pleno pelo Banco Central do Brasil mostra como essa “riqueza de papel” pode ser frágil. Instituições inteiras fecharam, deixando investidores à mercê do Fundo Garantidor de Créditos, que terá que honrar apenas até certo limite, enquanto os passivos “bilionários” se desfazem em pó.
Há riqueza concreta e há riqueza contábil. Uma sustenta a vida. A outra, às vezes, só sustenta a ilusão de que tudo isso é tão palpável quanto o arroz no prato.

