Ibaneis disse que, “se houve culpados [no caso], certamente a Justiça vai encontrar”. “O que não podemos é penalizar a população”, afirmou

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), falou, pela primeira vez, sobre o projeto de lei que prevê medidas para restabelecimento das condições econômicas-financeiras do Banco de Brasília (BRB), enviado à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
Ibaneis disse ao Metrópoles, nesta quarta-feira (25/2), que “é a função do parlamento debater, aprimorar os projetos, aprovar ou rejeitar”. O governador ponderou que “não é uma questão de apoiar o meu governo”. “É uma questão de dar sobrevivência ao BRB, seus mais de 4,5 colaboradores, inúmeros empresários, em especial os do setor imobiliário, e milhares de empregos”, declarou.
O chefe do Poder Executivo local destacou que o BRB tem função social no Distrito Federal. “É o operador de todos os programas sociais, do serviço de bilhetagem, o que pode atingir diretamente toda a população do DF, em especial a mais carente”, afirmou.
O projeto de lei autoriza ao GDF, na condição de acionista controlador, medidas para fortalecer o patrimônio e a liquidez do BRB, após prejuízos nos negócios com o Banco Master, que são alvos de investigação da Polícia Federal.
Entre as medidas permitidas pelo PL, está empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ou outras instituições financeiras. A proposta do Poder Executivo também autoriza uso de nove imóveis públicos para venda ou garantia.
Ibaneis disse que, “se houve culpados nesse processo, certamente a Justiça vai encontrar”. “O que não podemos é penalizar a população da nossa cidade”, declarou.
O governador destacou que “todas as medidas para buscar os ativos [do Master] foram realizadas” pelo BRB. “Contrataram a auditoria independente da Machado Mayer, em parceria com Kroll; ajuizaram ações de bloqueio de ativos e estão prestando todas as informações às autoridades competentes. Lembrando que os processos continuam em sigilo por determinação do STF”, declarou.
Projeto de lei
O PL foi enviado pelo GDF à CLDF na sexta-feira (20/2) e previa uso de 12 imóveis para fortalecer o BRB. Nessa terça-feira (24/2), o governo enviou uma nova versão com nove imóveis, excluindo terrenos no Guará e no Lago Sul previstos inicialmente. O texto mais recente também incluiu o valor limite do empréstimo, que pode ser de até R$ 6,6 bilhões.
Veja quais são os imóveis listados no PL do BRB:

Sem acordo na CLDF, com crítica de deputados da oposição e dúvidas também entre parlamentares da base, a análise da proposta foi adiada. O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, conversará com os deputados para esclarecer pontos do projeto e sobre o banco, na segunda-feira (2/3).
O líder do GDF na Câmara, Hermeto (MDB), disse que o banco corre risco de ser federalizado. “Os que levaram o BRB ao abismo têm que ser punidos exemplarmente, e a Polícia Federal vai apontar os culpados, mas não podemos entregar o patrimônio ao governo federal. A situação é dramática: a gente dá as garantias ou o Banco Central federaliza o banco”, afirmou, na segunda-feira (23/2).
O BRB divulgou uma nota na qual afirma que não recebeu comunicação do BC sobre federalização. A instituição financeira informou que “a interlocução com o regulador é técnica, permanente e transparente”.
Fonte: Metrópoles

