sexta-feira, 27/03/26
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Mapa monitora fertilizantes afetados por guerra no Oriente Médio

O ministério avalia alternativas logísticas para garantir abastecimento e alerta contra especulações que elevam preços artificialmente.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que monitora permanentemente as cadeias de suprimentos possivelmente afetadas pela guerra no Oriente Médio. Entre os produtos sob acompanhamento estão fertilizantes, como o nitrato de amônio, cuja importação ao Brasil foi temporariamente interrompida pela Rússia devido ao conflito na Ucrânia, iniciado há quatro anos.

O conflito na Europa já provocava volatilidade nos preços e ampliava a corrida global por insumos agrícolas. Para evitar prejuízos aos produtores rurais, o ministério mantém diálogo com diferentes atores do setor, avaliando alternativas de logística, importação e estratégias que garantam a segurança do abastecimento no país.

O Brasil importa parcela significativa dos fertilizantes utilizados na produção agrícola, o que justifica a necessidade de cautela por parte do mercado e dos produtores rurais. Segundo o ministro Carlos Fávaro, a instabilidade internacional tem alimentado movimentos especulativos que pressionam os preços dos fertilizantes. Ele ressalta que a melhor forma de enfrentar a especulação é ‘não comprar quando o preço está artificialmente elevado’.

Em nota, o Mapa informa que a safra de inverno já está plantada ou em fase final de implantação, reduzindo a necessidade imediata de aquisição de fertilizantes. A próxima grande demanda está prevista para setembro, com o início do plantio da safra de verão. ‘Quem precisava comprar fertilizante para a safra atual já o fez. Para a safra de verão, ainda há tempo. Por isso, a orientação neste momento é aguardar o desenrolar do cenário internacional e evitar compras precipitadas’, explicou Fávaro.

O ministro argumenta que o setor conta com alternativas tecnológicas e estratégias de manejo que podem ajudar a otimizar o uso de nutrientes nas lavouras, reduzindo impactos de eventuais oscilações de preços no mercado internacional.

Consultado pela Agência Brasil, o integrante do Conselho Popular do Brics, Marco Fernandes, explica que, como boa parte dos fertilizantes do mundo passa pelo Estreito de Ormuz, pode haver uma crise de produção. A consequência seria a alta no preço dos alimentos, o que pode resultar na morte de milhares de pessoas em todo o mundo. ‘O cenário que se configura, portanto, vai além da questão energética. É um cenário muito preocupante’, complementou o analista geopolítico do portal Brasil de Fato.

 

Com informações da Agência Brasil

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