
Por Gerson Camarotti
O laudo elaborado por médicos da Polícia Federal que avaliaram Jair Bolsonaro (PL) aponta que o quadro de saúde do ex-presidente demanda cuidados, mas que ele tem condições de permanecer na Papudinha, onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão pela trama golpista.
A realização da perícia médica foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e vai embasar decisão do magistrado sobre um pedido da defesa do ex-presidente, que solicita a concessão de regime domiciliar para Bolsonaro por razões humanitárias.
A avaliação no ex-presidente foi feita no dia 20 de janeiro. Conforme o relatório médico, entre os cuidados que precisam ser observados, estão o controle rigoroso de pressão arterial, hidratação adequada, dieta fracionada, acesso a exames laboratoriais e de imagem periódicos, e uso contínuo de aparelho para o tratamento da apneia do sono e ronco (CPAP).
O documento afirma que essas medidas são compatíveis com o ambiente carcerário em que Bolsonaro se encontra. E que as comorbidades apresentadas por Bolsonaro “não ensejam, no momento, necessidade de transferência” para um hospital.
Papudinha é melhor que sala da PF, diz Bolsonaro
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/5/2/sjKkD6Sbu7cIE4tWvCgg/captura-de-tela-2026-02-06-113935.png)
Trecho do relatório médico sobre o estado de saúde de Bolsonaro — Foto: Reprodução
De acordo com o relatório médico, Bolsonaro relatou que houve uma melhor do ambiente de custódia com a transferência, no dia 15 de janeiro, da Superintendência da PF para a Papudinha, no Complexo da Papuda.
O ex-presidente destacou que, na Papudinha, o espaço para circulação é maior e que não se incomoda com ruídos, apesar de obras na unidade. Para Bolsonaro, a limpeza do local é “satisfatória”.
Quando esteve na Superintendência da PF, Bolsonaro se queixava com frequência de ruídos do sistema de ar-condicionado.
Preocupação com Michelle
O ex-presidente relatou aos médicos que busca se manter emocionalmente “equilibrado” na Papudinha, mas que tem “maior preocupação” com a filha menor de idade, com a enteada e com a esposa, Michelle Bolsonaro.
E que negou acompanhamento psiquiátrico ou psicológico, mas tem recebido visitas de um pastor, o que considera “relevante para a sua prática religiosa”.
“[Bolsonaro] não apresentou queixas compatíveis com sentimentos de menos-valia, desesperança ou anedonia”, diz o laudo médico.

