domingo, 18/01/26
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Envelhecimento saudável: exercícios, novos hábitos e sonhos mantêm idosos ativos até os 100 anos

A prática regular de exercícios físicos e uma boa alimentação é fundamental do envelhecimento saudável.

Reprodução

 

O conceito de envelhecer está passando por uma profunda transformação no Brasil e no mundo. Para uma parcela crescente da população acima dos 50 e 60 anos, a maturidade deixou de ser sinônimo de limitação e passou a representar liberdade, realização de sonhos e uma vida ativa, física e mentalmente. A combinação entre exercícios físicos regulares, mudanças no estilo de vida e alimentação saudável tem permitido que muitos idosos alcancem idades avançadas, próximos ou até acima dos 100 anos, com autonomia, disposição e propósito.

Exemplos dessa nova realidade não faltam. Atividades antes associadas apenas aos jovens, como videogames, esportes de alta intensidade, viagens internacionais e desafios físicos complexos, hoje fazem parte da rotina de milhares de idosos. O caso do time sueco de e-sports Silver Snipers, formado exclusivamente por aposentados, ilustra bem essa mudança de paradigma. Com média de idade de 74 anos e um integrante que completou 82 anos em 2025, o grupo compete profissionalmente no jogo Counter-Strike: Global Offensive, estimulando a coordenação motora, o raciocínio estratégico e, principalmente, o convívio social.

Time sueco de e-sports Silver Snipers

No Brasil, a tendência também cresce. A paranaense Maria de Lourdes de Souza, de 73 anos, conhecida como “Dona Maria Gameplays”, tornou-se influenciadora digital ao transmitir partidas de videogame para mais de um milhão de seguidores. O que começou como uma alternativa de renda durante a pandemia de covid-19 se transformou em uma atividade prazerosa, que combate o isolamento social e mantém a mente ativa. Pesquisas recentes confirmam esse movimento: levantamento de 2025 aponta que 20% dos brasileiros com mais de 60 anos jogaram games eletrônicos nos últimos 12 meses, superando atividades culturais tradicionais como teatro e visitas a bibliotecas.

A prática regular de exercícios físicos é outro pilar fundamental do envelhecimento saudável. A carioca Sandra Paixão Velloso, de 67 anos, encontrou no pole dance uma nova forma de se manter ativa após uma lesão que a afastou da corrida. O esporte, que exige força, flexibilidade, disciplina e persistência, levou Sandra a competir internacionalmente na categoria 50+, conquistando títulos e fortalecendo a autoestima. Para ela, envelhecer não significa parar, mas continuar sonhando e se desafiando.

Histórias como a de Marineth Huback reforçam essa visão. Aos 88 anos, a carioca segue praticando montanhismo, atividade que descobriu aos 59. Em quase três décadas de escaladas, já subiu mais de 125 montanhas e mantém uma rotina que inclui musculação e tai chi. Para Marineth, o segredo não está apenas em viver mais, mas em viver bem. “Não me interessa viver muito, quero viver bem”, resume, destacando a importância da qualidade de vida na terceira idade.

Sandra Paixão Velloso é vencedora pan-americana de pole dance 50+. Foto: Pedro Kirilos/Estadão

A busca por novos aprendizados também tem se tornado comum entre os idosos. A dentista Adriana Bellinetti Silva, de 57 anos, decidiu fazer um intercâmbio internacional para aprender inglês após a viuvez. A experiência, além do aprendizado do idioma, trouxe autonomia, novas amizades e confiança para seguir explorando o mundo. Programas de intercâmbio voltados para o público 50+ registram crescimento constante, mostrando que nunca é tarde para recomeçar ou investir em projetos pessoais.

Especialistas reforçam que o envelhecimento saudável começa pela mudança de mentalidade. Para o geriatra Milton Crenitte, diretor técnico do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-BR), combater o etarismo — inclusive o internalizado — é essencial. “Existem velhices, e não uma velhice única”, afirma. Segundo ele, promover engajamento social, atividade física, alimentação equilibrada e senso de propósito cria um ciclo virtuoso que protege a saúde física e mental.

A atleta Sandra Velloso venceu o Pan-americano de pole sport na modalidade 50+ em 2019. Foto: Instagram

A professora Anita Neri, da Unicamp, especialista em longevidade, destaca que os idosos de hoje vivem mais tempo com liberdade para serem quem são. “Não há mais regras rígidas sobre como devem agir ou se vestir. Eles são mais livres para construir vidas felizes e projetos inovadores”, observa.

As histórias de idosos que praticam esportes, aprendem novas habilidades, viajam e mantêm uma rotina ativa mostram que chegar aos 100 anos com qualidade de vida não é apenas uma questão genética, mas resultado de escolhas diárias. Exercício físico, alimentação saudável, estímulo mental, convivência social e, sobretudo, o desejo de continuar sonhando formam a base de um envelhecimento pleno, ativo e cada vez mais inspirador.

 

 

Da Redação do Agenda Capital (texto original de Luísa Giraldo) 

 

 

 

 

 

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