Conselho da ONU discutiu legalidade da captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelos EUA. Governo norte-americano tem poder de veto em votações. Brasil deve pedir a palavra e repetir condenação à ofensiva do governo Trump à Venezuela.

A Rússia e a China, aliados do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, condenaram nesta segunda-feira (5) o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na captura de Maduro no final de semana, em reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
Por outro lado, os EUA se defenderam das críticas ao chamar Maduro de “fugitivo da Justiça” e falar em “operação para o cumprimento da lei”. Já a Venezuela pediu que o Conselho de Segurança da ONU garanta que o governo Trump não se apodere de seus recursos naturais.
No discurso inicial, a vice-secretária-geral da ONU disse que a instituição está “preocupada que a operação não respeitou as regras do direito internacional”.
O embaixador da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, pediu novamente a libertação imediata de Maduro e acusou os EUA de serem “hipócritas e cínicos”, e que a Casa Branca nem escondeu o teor de sua “operação criminosa para tomar os recursos energéticos”. Disse também que a ONU não pode aceitar a postura do governo norte-americano.
“Com suas ações, os EUA estão gerando um embalo para um novo momento para neocolonialismo e imperialismo”, afirmou Nebenzya.
Durante a reunião, o Brasil deve pedir a palavra para condenar o ataque dos EUA e defender a soberania da Venezuela.
A China também criticou o ataque dos EUA durante a sessão do Conselho de Segurança. O representante chinês, Fu Cong, afirmou que o país está “profundamente chocado e condena fortemente o bullying” do governo norte-americano.
Cong afirmou que “nenhum país tem poder para atuar como polícia ou tribunal internacional”. O embaixador chinês na ONU também acusou os EUA de desconsiderarem as “graves consequências” para a comunidade internacional com o ataque e colocar a paz internacional e da América Latina em perigo.
Já o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, defendeu o ataque que capturou Maduro e chamou a ação de “operação para o cumprimento da lei”. Ele também chamou o presidente venezuelano de “um fugitivo da Justiça norte-americana e diretamente responsável pelas mortes de milhares de norte-americanos”.
“Maduro não só era um narcotraficante, ele era um presidente ilegítimo e não era um líder de Estado. Por anos, eles manipularam o sistema eleitoral para se manter no poder”, afirmou Waltz.
O embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, afirmou que o ataque dos EUA “manda a mensagem que seguir a lei é opcional” e pediu ao Conselho de Segurança da ONU a adoção das seguintes medidas:
- exigir que os EUA respeitem os direitos de Maduro e Cilia e que os libertem imediatamente;
- condene de forma inequívoca o uso da força contra a Venezuela;
- reafirme o princípio de não aquisição de território ou recursos naturais;
- adote esforços para desescalada e proteção da população civil e da retomada da ordem.
O Brasil condenou a intervenção armada no país vizinho, que resultou na captura de Maduro. Segundo o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, não é possível “aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”.
A declaração está alinhada à nota divulgada pelo governo brasileiro, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia da ação norte-americana no país vizinho. A informação foi adiantada pelo blog do Valdo Cruz.
“O Brasil rejeita de maneira categórica e com a maior firmeza a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional”, afirmou o embaixador.
A reunião foi solicitada pela Colômbia após os Estados Unidos atacarem, na madrugada do sábado (3), diversos pontos de Caracas e capturarem Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Ambos participaram de audiência no tribunal de Nova York nesta segunda-feira e declararam ser inocentes.

