segunda-feira, 09/02/26
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Camões, 500 anos depois: a urgência de ouvir novamente a voz da língua

Reprodução

 

Maria José Rocha Lima*

Quem me lembrou a data foi Therezamaria Lucíola de Campos, a Sherazade do Cerrado, guardiã da língua portuguesa, que conta histórias e forma contadores para que a palavra jamais perca sua dignidade. Celebrar os 500 anos de Camões é reconhecer que sua voz ainda atravessa séculos para provocar consciências. Mais que heróis, ele revelou a fragilidade humana e as contradições do poder.
Em Os Lusíadas, exaltou a expansão marítima, mas também expôs tensões políticas, mostrando que a grande literatura não se dobra ao nacionalismo: ela ilumina. Seu valor contemporâneo está na inquietação — no poeta que viveu exílios, pobreza e o mundo, compreendendo a ambiguidade do progresso.
Num tempo de discursos rasos, Camões exige profundidade e compromisso com a língua, que ele ajudou a moldar como espaço de identidade e imaginação. Celebrá-lo é mais que cumprir uma efeméride: é reafirmar que a palavra, quando verdadeira, permanece como memória e promessa de futuro.

*Maria José Rocha Lima é mestre em Educação e doutora em Psicanálise. Fundadora da Casa da Educação Anísio Teixeira. Deputada estadual no período de 1991 a 1999.

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