quarta-feira, 07/01/26
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Bule-Bule e o pé que não falta

Ilustração

 

Miguel Lucena

O poeta, compositor, cantador e artista Bule-Bule me ligou hoje cedo. Autor de obras fundamentais do cancioneiro popular, repentista de raiz, sambista das entranhas baianas, é o poeta que um dia propôs ao mundo trocar cocaína por rapé e a máquina de lavar por uma gamela. O mesmo que ergueu, em música, um monumento ao samba para que as novas gerações jamais o esqueçam. Aos 78 anos — “dentro dos 79”, como ele faz questão de dizer — segue cheio de sonhos.

Na conversa, revelou sem rodeios que não cuidou da diabetes. Danou-se a comer quindim e cocada, perdeu um pé e um dedo do outro. Mas nunca perdeu a vitalidade, nem os sonhos, nem a inspiração. Continua com a verve afiada, o raciocínio rápido e um prato generoso de rimas sempre pronto para quem chega.
Deu notícia da partida do doutor Edísio, que morreu de teimoso. Diagnosticado com Alzheimer, recusou-se a ser dominado por um alemão. Rejeitou tratamento e decidiu matar o invasor na base da raiva, bebendo cana de Abaíra e comendo sarapatel das Sete Portas.
Falamos também das partidas de Wilson Aragão e de Vital Farias, dois velhos amigos, poetas dos grandes, desses que não morrem: encantam. Vital foi cantar na eternidade, mas deixou herdeiro à altura. João Farias, seu filho, dá prosseguimento à obra do pai com maestria, mantendo viva a poesia, a música e o compromisso com o povo e com a cultura nordestina.
Comentamos ainda o infarto que deu um susto em Maurílio, de Mundo Novo, advogado e cordelista dos bons, que Deus resolveu deixar mais um tempo por aqui.
Meu caro Bule-Bule, o que é um pé a menos para quem carrega a mente e o coração prenhes de tanta inspiração e poesia em abundância?

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