quinta-feira, 08/01/26
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Brasília vazia: veja os impactos do esvaziamento da capital durante o mês de janeiro

Comércio, transporte e turismo sentem os efeitos da saída em massa de moradores. Veja motivos e impactos desse movimento sazonal para o DF.

Aeroporto de Brasília deve receber 1,3 milhão de passageiros em dezembro, número representa aumento de 1,8% — Foto: Divulgação

 

Sem trânsito, lojas e parques com poucas pessoas, sem filas em restaurantes: o mês de janeiro é marcado por uma Brasília vazia, diferente da capital movimentada do dia a dia.

Para quem ainda estuda, costuma ser o período das férias mais prolongadas. Para uma cidade com tantos servidores públicos, é também o momento do recesso dos poderes Judiciário e Legislativo – na esfera distrital e na esfera federal.

Muitas famílias aproveitam a data para viajar com mais calma, por um período maior. Há, inclusive, comércios que aproveitam o vazio para dar férias coletivas aos funcionários ou promover reformas nas instalações.

Para entender os motivos do esvaziamento do Distrito Federal, og1 entrevistou o economista César Bergo e a geógrafa e professora da Universidade Católica de Brasília (UCB) Cláudia Nascimento, que listaram 9 pontos:

  1. Centro do poder político e jurídico do Brasil: atração de pessoas de fora para trabalhar e que visitam os parentes no final/início do ano.
  2. Período de férias escolares
  3. Linhas áreas para todos os estados
  4. Poder aquisitivo da população
  5. Composição migratória: cerca de 40% da população do DF nasceu em outros estados, mantendo fortes laços com suas origens.
  6. Estrutura econômica centralizada: o DF concentra a maioria dos empregos (administração pública, serviços), enquanto o Entorno atua principalmente como área residencial.
  7. Custo de vida: o menor custo habitacional no Entorno atrai moradores que trabalham ou estudam no DF.
  8. Ausência de litoral: a falta de praias estimula viagens frequentes para outras regiões em férias e feriados.
  9. Vínculos externos: a população mantém conexões familiares, econômicas e sociais fora do DF, reforçando a mobilidade.

 

Perfil dos viajantes

De acordo com a Claúdia Nascimento, o perfil das pessoas que realizam viagens temporárias a partir de Brasília segue o padrão nacional:

  • Faixa etária: adultos jovens ou de meia-idade.
  • Alta renda: gasto médio do turista residente no DF ultrapassa R$ 3 mil por viagem, o mais elevado entre as unidades da federação.
  • Preferência por destinos costeiros.

 

Saída do DF por terra e ar

A Polícia Rodoviária Federal (PRF), que cuida de rodovias federais, destaca que, historicamente há um aumento “significativo no fluxo de veículos entre os meses de dezembro e janeiro, período de festividades de Natal e Ano Novo, além do início das férias escolares”.

Além do fluxo terrestre, o Aeroporto Internacional de Brasília e as companhias aéreas destacam que há um grande pico na temporada do verão:

  • O Aeroporto Internacional de Brasília projeta uma movimentação de 970 mil passageiros entre os dias 15 de dezembro e 5 de janeiro de 2026, um aumento de 10% se comparado ao mesmo período de 2024. Estão previstos 6.500voos e 233 operações extras para atender a demanda. Os destinos mais procurados são São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Foz do Iguaçu, Manaus e Curitiba.
  • A Gol aponta que o perfil predominante de clientes é de passageiros em viagens de lazer com destino para praias e viagens de férias ou algumas rotas internacionais como Brasília e Buenos Aires.
  • A Azul diz que para o período de fim de ano, entre 20 de dezembro de 2025 e 05 de janeiro de 2026, a Azul vai operar 420 voos de/para Brasília com a oferta de 61,6 mil assentos.
  • A LATAM Airlines Brasil informa que manterá seu nível de oferta regular de voos em Brasília em dezembro de 2025, com uma média de 1,2 mil voos semanais, entre chegadas e partidas.

 

Impactos para o DF

Segundo a geógrafa Cláudia Nascimento, essa migração temporária da população causa alguns impactos na cidade:

  • Consumo sazonal: a saída da população causa queda pontual no setor de bares, restaurantes e alimentação fora do domicílio, principalmente em comércios que atendem ao público corporativo.
  • Transporte público: redução no fluxo casa-trabalho, mas aumento na demanda por transporte para aeroportos e rodoviárias. Programas como “Vai de Graça” podem estimular o uso local em feriados.
  • Vazamento econômico: parte da renda gerada no DF é gasto em destinos turísticos de outras regiões.
  • Desafios no planejamento: as oscilações pressionam o planejamento do comércio (estoques, escala de funcionários) e a gestão da capacidade do transporte público, exigindo operações especiais em certos períodos.

 

Em relação ao comércio, em janeiro há queda nas vendas e prestação de serviços. De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), em janeiro de 2025 houve uma retração de -1,2% no comércio varejista e de -8,7% no volume de serviços.

“Influência em menos consumo de bens e serviços, que impacta o nível de emprego com o mês de janeiro registrando o menor saldo entre admissões e desligamentos nos empregos formais. Do mesmo modo, a arrecadação tributária de fevereiro é impactada pela retração da atividade econômica no mês de janeiro”, aponta a Fecomércio-DF.

 

 

O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do DF (Abrasel DF), Thales Furtado, aponta que janeiro é um dos meses mais “fracos” para restaurantes e bares, com redução de até 35% do movimento, se comparado a dezembro.

Para a Abrasel, a maioria dos restaurantes e bares são afetados, mas as regiões centrais tem um peso maior justamente por não ter o público circulante normal do ano.

“Os de ticket mais alto sentem mais, pois o público de maior poder aquisitivo viaja mais e fica mais tempo fora da cidade, fora que a cidade deixa de receber todas aqueles que vem a trabalho nos órgãos públicos que entram em recesso”, aponta Thales Furtado.

 

No DF, a Secretaria de Transporte e Mobilidade ajusta o número de ônibus disponíveis de acordo com a demanda. De acordo com a pasta, o monitoramento é “dinâmico e rápido”.

“Vou citar, por exemplo, a linha 0.110, que faz o trajeto entre a Rodoviária do Plano Piloto e a Universidade de Brasília (UnB). São 15 mil estudantes a menos circulando nesses dias, mas a média, no geral, é 20% a 30% menor, dependendo do horário do dia”, aponta o secretário de Transporte e Mobilidade, Zeno Gonçalves.

“Se for necessário, a gente reforça e, se tiver ociosidade, reduzimos. Ônibus rodando vazio é custo e nós bancamos parte desses custos”, pondera.

Com g1 DF

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