segunda-feira, 26/01/26
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Ao menos 104 presos políticos são libertados na Venezuela, diz ONG

O governo venezuelano afirma ter libertado 626 pessoas desde dezembro, número que o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos pretende verificar.

Vigília de familiares de presos políticos na Venezuela em frente à prisão de El Elicoide, em Caracas, na Venezuela à espera da libertação de parentes em 11 de janeiro de 2026. — Foto: Reprodução/Realidad Helicoide no X

 

Por France Presse

Pelo menos 104 presos políticos foram libertados neste domingo (25) na Venezuela, onde um processo de soltura de detidos avança a conta-gotas sob pressão de Washington, informou a ONG Foro Penal.

O governo de Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro, prometeu um “número importante” de libertações.

A oposição e ONGs defensoras de direitos humanos denunciam, no entanto, a lentidão no processo. Familiares aguardam do lado de fora dos presídios e passam a noite ao relento na esperança de ver seus entes queridos saírem das celas.

Na manhã deste domingo, o número divulgado de pessoas libertadas era 80.

“Pelo menos 80 presos políticos que estamos verificando foram libertados hoje em todo o país. É provável que ocorram mais solturas”, escreveu o diretor do Foro Penal, Alfredo Romero, na rede social X.

 

O advogado Gonzalo Himiob, também do Foro Penal, afirmou que as libertações ocorreram durante a madrugada. “Esse número ainda não é definitivo e pode aumentar à medida que fizermos mais verificações”, acrescentou no X.

Libertações sob questionamento

O governo venezuelano contabiliza 626 libertações desde dezembro, número que o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos pedirá para verificar, disse Rodríguez na sexta-feira.

O total oficial contrasta com relatórios de ONGs. O Foro Penal contabiliza cerca da metade no mesmo período.

Rodríguez, que governa de forma temporária, promoveu uma mudança súbita na desgastada relação entre Caracas e Washington.

No sábado, a presidente interina convocou a oposição a “alcançar acordos” para conquistar a “paz” no país, que os EUA dizem controlar após a incursão militar que depôs Maduro.

Maduro e sua esposa, Cilia Flores, são processados em Nova York por narcotráfico.

A Venezuela tem vivido anos de um rígido controle estatal.

Os protestos espontâneos contra a contestada reeleição de Maduro em 2024 terminaram em repressão e na prisão de mais de 2 mil pessoas em 48 horas.

Além disso, está em vigor um estado de comoção que pune com prisão quem apoiar o ataque americano.

 

 

 

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