Mudanças levam em conta as necessidades de cada espécie e ajudam a administrar os impactos das variações climáticas em seu comportamento
A chegada do período chuvoso exige adaptações específicas no manejo animal e, por isso, a equipe técnica da Fundação Jardim Zoológico de Brasília (FJZB) atua de forma preventiva para assegurar o bem-estar e a saúde das espécies. As variações de temperatura e umidade típicas dessa época exigem atenção especial e estratégias específicas de manejo, que levam em conta as necessidades de cada espécie e ajudam a administrar os impactos das variações climáticas em seu comportamento.
Segundo o coordenador de mamíferos, Leandro de Souza Drigo, as medidas preventivas de manejo ambiental são organizadas para adequar os cuidados às condições do período chuvoso. Entre as ações adotadas estão a disponibilização de abrigos físicos adequados a cada espécie, como casas e tocas, além de plataformas elevadas e coberturas em recintos e áreas de manejo. “Independentemente do tipo de abrigo, é importante reforçar que sempre permitimos a expressão de comportamentos naturais, com liberdade de escolha sobre utilizar ou não o abrigo”, explica.
Como explica o coordenador, com as chuvas algumas espécies passam a ajustar seus períodos de maior atividade, permanecendo por mais tempo em áreas protegidas. Leandro acrescenta que também há mudanças no uso dos recintos, com mudanças no comportamento exploratório e maior permanência em locais mais protegidos da chuva e do vento.
Entre as aves, a coordenadora da área, Ana Cristina de Castro, explica que elas tendem a ficar mais ativas nos momentos que antecedem ou logo após as chuvas. Durante os períodos de precipitação mais intensos, elas buscam proteção em áreas cobertas, vegetação densa, poleiros elevados e ninhos, reduzindo a movimentação e permanecendo em locais mais secos e seguros. Em alguns momentos, no entanto, as aves também aproveitam a chuva para tomar banho.
“Na estação chuvosa, os estímulos naturais do ambiente se intensificam, como o aumento da presença de insetos e as mudanças na umidade e na temperatura, o que influencia diretamente o comportamento das aves. Esse contexto favorece aumento da atividade, das vocalizações e de comportamentos reprodutivos”, explica Ana Cristina.
Planejamento e estratégias para o período mais frio
Além das ações voltadas ao período chuvoso, o cuidado com os animais do Zoológico de Brasília também inclui a preparação gradual para as estações mais frias que se aproximam. A assessora da Coordenação de Répteis e Anfíbios, Caroline Trombeta, explica que as serpentes, por exemplo, passam por avaliações trimestrais, com pesagem e biometria, o que permite acompanhar o desenvolvimento e manter o equilíbrio corporal adequado.
Quando são identificadas variações de peso, a equipe ajusta a dieta e a frequência alimentar, garantindo que os animais cheguem ao inverno em condições ideais. “No inverno, o metabolismo das serpentes diminui drasticamente, deixando-as mais letárgicas. Com essa estratégia, garantimos que não haja nenhuma deficiência nutricional nesse período, mantendo-as sempre fortes e saudáveis. Além dos ajustes na dieta, também preparamos os recintos para o inverno, garantindo que o ambiente esteja ideal para essa época”, detalha Caroline.
Com o planejamento em cada estação do ano, monitoramento constante e manejo especializado, o Zoológico de Brasília reforça seu compromisso com o cuidado e o bem-estar animal, adaptando rotinas e ambientes às mudanças do clima e às necessidades específicas de cada espécie.

